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  • 20/04/2017

    A Verdade é Uma Caverna nas Montanhas Negras, de Neil Gaiman (Resenha)

    Olá, pessoal, tudo bem?

    Depois de todo o sucesso e vergonha das minhas primeiras contribuições, trouxe para vocês mais uma resenha, de outro livro bem curto (eu tenho de futuramente trazer alguma de um livro de mais de mil páginas, para vocês não pensarem que eu sou desses preguiçosos). Na realidade, “A Verdade é Uma Caverna nas Montanhas Negras” é um conto. Ele foi lido por Neil Gaiman em alguns eventos ao redor do mundo, e figurou na antologia de contos do autor Stories.

     Foto: acervo pessoal.


    Não bastasse Gaiman ser considerado um dos maiores pós-modernos vivos, ter uma prateleira cheia de prêmios por suas contribuições à literatura de fantasia, nessa edição ele se une a Eddie Campbel, um premiado autor de histórias em quadrinhos, para criar um híbrido entre o livro ilustrado e a graphic novel. O conto recebeu dois importantes prêmios de “Melhor Conto”, o Locus Award e o Shirley Jackson Award, e se só isso não for suficiente, ele já te segura no primeiro parágrafo, nos colocando em contato com esse personagem misterioso com muitos fantasmas no passado:

    “Indaga se sou capaz de me perdoar? Posso me perdoar por muitas coisas. Por onde o deixei. Por aquilo que fiz. Mas não vou me perdoar pelo ano em que detestei minha filha”.

     O enredo do livro é muito simples. Um anão percorre um longo caminho por uma Escócia medieval para encontrar Calum MacInnes, um famoso pirata aposentado. Ele espera que MacInnes o ajude em sua busca por uma caverna na Ilha das Brumas, onde se diz que existe um tesouro escondido para quem quiser buscar, em troca de uma parte de si que fica para trás ao sair de lá. O anão convence MacIness a acompanhá-lo em troca de uma bolsa de prata, e ambos seguem viagem em busca dessa caverna mágica e misteriosa, enquanto ambos vão conversando sobre a vida e nos entregando algumas verdades desconfortáveis ou encantadoras sobre cada um desses protagonistas.

    Neil Gaiman é um escritor tão talentoso que em poucas páginas e alguns diálogos já consegue nos transportar para aquele clima bucólico e sombrio medieval. Os diálogos travados entre os dois homens e com outros personagens que eles encontram no caminho remetem automaticamente a filmes de época, a personagens arcaicos e taciturnos como os saídos de Game of Thrones ou de livros do Bernard Cornwell. Colabora para o estabelecimento desse clima as ilustrações de Eddie Campbell, quase sempre em tons pastéis e escuros, colocando essas cores em destaque até em passagens em que a claridade predomina. Alguns dos diálogos se passam em balões, como quadrinhos, se misturando com o texto em prosa de maneira brilhante e natural, sendo impossível ler o texto apenas pela palavra escrita. Cada página do livro é uma obra de arte a parte, com ilustrações em tinta a óleo, com desenhos a lápis e até com colagens de pinturas e desenhos sobre fotos de paisagens:



    O enredo por vezes parece superficial, e conforme ele caminha nos parece previsível. Mas Gaiman não entregou um texto realmente fácil, o final traz uma revelação inesperada, mas coerente com o que ele propôs desde o começo da saga desses dois homens. Não é o destino que importa, é o caminho, é uma viagem de descoberta. Conforme o título nos entrega, a verdade é uma caverna nas montanhas negras, e essa busca pelos tesouros da caverna se reveste simbolicamente de uma busca pela verdade. Esses dois homens já viveram por tempo demais, viram coisas demais, mentiram coisas demais, e só pessoas que já viveram muito e intensamente - tanto o que a vida tem de bom quanto o que ela tem de ruim - podem suportar e entender o peso que tem a verdade e quais são as coisas às quais precisamos renunciar para conhecê-la.

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