• início
  • contato
  • parceria
  • blogroll
  • Livros Resenhados

  • 24/02/2017

    O Despertar Do Príncipe, de Colleen Houck (Resenha)


    Arte de Capa - Editora Arqueiro


    Título Original: Reawakened
    Autora: Colleen Houck
    Editora: Arqueiro
    Ano: 2015



    Sinopse: Aos 17 anos, Liliana Young tem uma vida aparentemente invejável. Ela mora em um luxuoso hotel de Nova York com os pais ricos e bem-sucedidos, só usa roupas de grife, recebe uma generosa mesada e tem liberdade para explorar a cidade.
    Mas para isso ela precisa seguir algumas regras: só tirar notas altas no colégio, apresentar-se adequadamente nas festas com os pais e fazer amizade apenas com quem eles aprovarem.
    Um dia, na seção egípcia do Metropolitan Museum of Art, Lily está pensando numa maneira de convencer os pais a deixá-la escolher a própria carreira, quando uma figura espantosa cruza o seu caminho: uma múmia — na verdade, um príncipe egípcio com poderes divinos que acaba de despertar de um sono de mil anos.
    A partir daí, a vida solitária e super-regrada de Lily sofre uma reviravolta. Uma força irresistível a leva a seguir o príncipe Amon até o lendário Vale dos Reis, no Egito, em busca dos outros dois irmãos adormecidos, numa luta contra o tempo para realizar a cerimônia que é a última esperança para salvar a humanidade do maligno deus Seth.
    Em O despertar do príncipe, Colleen Houck apresenta uma narrativa inteligente, cheia de humor e ironia. Este é o primeiro volume da aguardada série Deuses do Egito, uma aventura fascinante que vai nos transportar para cenários extraordinários e nos apresentar a criaturas fantásticas da rica mitologia egípcia.


                O Despertar Do Príncipe é o primeiro volume da série Deuses Do Egito, de Colleen Houck, mesma autora de A Maldição Do Tigre.
                Como quase toda boa história, O Despertar Do Príncipe é um enredo resultante de uma história muito mais antiga e misteriosa, dessa vez, contendo uma guerra entre deuses e o sacrifício de três príncipes mortais, de grandes cidades e irmãos de alma: Amon, Asten e Ahmose. De acordo com o enredo, Seth, um deus que se tornou sombrio, pediu o sacrifício dos três príncipes, caso contrário, traria o caos e a miséria a todo o Egito. Temendo que a ameaça se concretizasse, os príncipes foram sacrificados, e como quase todas as relíquias das grandes e antigas civilizações do mundo, uma das tumbas dos três príncipes foi parar no Metropolitan Museum of Art (MET) – De Nova York.
                A partir daí, conhecemos Lilliana Young – jovem membro da elite de Nova York, apresentada como uma adolescente surpreendentemente ponderada, sensata e segura de si, que visita o MET constantemente.
                Lilliana é direta e, a meu ver, uma daquelas pessoas que não são donas da própria história, e sim, apenas uma espectadora: ela pode até ter uma noção do que quer para si mesma, mas no geral sede às expectativas quase inalcançáveis dos pais, como andar com as pessoas certas – geralmente filhos e filhas de pessoas igualmente importantes no país –, tirar boas notas e entrar nas faculdades que eles mesmos escolheram.

    “Eles  – que detestavam ser chamados de mamãe e papai  – queriam que eu me formasse em algo que lhes desse orgulho, como medicina, administração ou ciência política, mas nada disso me interessava.”


                O fato de Lily, apesar de ser distante, direta e bastante prática, se interessar mais por pessoas, e ser uma ótima observadora, é perceptível, e, mesmo se ela não narrasse justamente sobre isso, o leitor perceberia o quanto a garota poderia ser infeliz, cedendo às expectativas dos pais. Por essa razão, ela não reluta tanto em partir para uma aventura. É aí que o primeiro príncipe do Egito, Amon, entra em cena.
                Lembrando que a história é narrada em primeira pessoa, assim, sabemos a impressão que Lily tem de Amom, mas não há como saber, com exatidão, o que Amom pensa, ou espera, até o final.
               
    Ele parecia…. Não ter idade.
    Olhos sombrios cor de avelã, naquele momento mais verdes do que castanhos, me
    Encararam por baixo de sobrancelhas fartas e uma testa imponente com um ar ao mesmo
    Tempo inteligente e quase predatório. Senti-me um rato diante de um falcão que desce do
    Céu, sabendo que a morte se aproxima, mas totalmente incapaz de desgrudar os olhos de
    Tamanha beleza.


               Porém, Amom se mostra um príncipe antigo, dos pés a cabeça, poderoso, sábio, seguro, porém contido, propenso a ter suas vontades imediatamente atendidas, visto que, por milênios, ele foi venerado como um deus, e por essa razão ele possui um senso de dever e sacrifício extremamente forte. Mas como é de se esperar, o príncipe considera Nova York confusa e barulhenta, o que nos rende momentos de interações interessantíssimas entre ele e uma cética Lily, que, primeiramente, se nega a acreditar que uma múmia despertou e precisa de sua ajuda.
                Mesmo que o relacionamento gradativo de Lily e Amon seja o tópico principal do enredo, é interessante ressaltar que isso não impediu o livro de ser uma excelente narrativa sobre mitos e cultura egípcia, com descrições e explicações relevantes e atraentes sobre lugares, histórias, artefatos que aparecem ao longo do enredo.


    Frase de Amon em "O Despertar Do Príncipe" montagem e edição de Haidy.

                  Com relação aos personagens secundários, considerando que é o primeiro livro de uma série, eles ainda não estão suficientemente construídos aos olhos do leitor, em minha concepção. A mãe de Lily aparece logo de início, controladora, e manipuladora ainda que seu modus operandi esteja mais para o passivo agressivo. Já o pai, ainda que descrito, não aparece. Creio que apenas dois personagens realmente adultos apareçam em cenas recorrentes: o deus Anúbis – mais para um rockstar temperamental – e Osahar (Oskar) Hassan, grão-vizir e arqueólogo, um personagem que provavelmente possa a vir ter mais destaque, visto se mostrar inteligente e extremamente útil.
                Quantos aos outros dois príncipes, ao menos neste livro, eles aparecem apenas um pouco depois da metade, cada um mostrando ter uma personalidade bastante diferente da de Amom.
                Asten é mais aberto a interações, inteligente, astuto e dado a não levar as coisas muito a sério, já Ahmose, a despeito de ser o maior dos três, é gentil e protetor.
                "O Despertar Do Príncipe" não foge às regras das poderosas e envolventes histórias de amor egípcias, que tendem a mostrar que o verdadeiro amor sobrepõe-se a todos os infortúnios, adversidades e, até mesmo, a morte. Ainda que seja adaptado para um público adolescente, creio que o livro atrai um público mais maduro que isso. Talvez, você, leitor, já tenha lido algum livro da série “A Maldição Do Tigre” e, se gostou, vai gostar ainda mais desse aqui. Caso não tenha se interessado tanto, deixe em mente que Colleen Houck é uma escritora de escrita progressiva, e que tende a crescer e evoluir na literatura juvenil. Com certeza "O Despertar Do Príncipe" mostra esse crescimento com relação a sua escrita, e um estilo mais maduro pode ser vislumbrado.
                No mais, deixo vocês aqui, e espero que tenham gostado dessa nova sugestão de leitura, se já leu, deixe seu comentário e, se não leu, estamos aqui para responder suas perguntas e dúvidas.
                Até a próxima.
                Haidy.




    Um comentário:

    Eu curto literatura. Todos os direitos reservados.© - Powered by Blogger. imagem-logo