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  • 31/01/2017

    Primeiro Amor, de Samuel Beckett (Resenha)



    Olá leitores, tudo bom?
    Eu sou o Alessandro, o novo colaborador do blog.
    Eu sou um pouco novo nisso de resenhar, então tenham paciência comigo, e juro que tenho um bom coração.

    Hoje vou falar com vocês sobre o livro Primeiro Amor, do Samuel Beckett.


    Fonte: arquivo pessoal

    Eu me encontrei com esse livro por um acaso. Eu precisava de um livro barato para conseguir o frete grátis na Amazon, ele estava em oferta, por R$ 15,00, eu conhecia o autor de nome, sabia que ele era um Nobel e é sempre bom ter uma coisa mais culta na estante, comprei. Pela sinopse, eu esperava uma história de amor meio melosa e triste:

    “O monólogo desta ‘história de amor’ desdobra-se em um espírito patético, porém com muitos toques de humor. Como ocorre frequentemente com Beckett, a fábula se restringe a uma estrita e implacável banalidade, porém o inusitado do olhar do herói é capaz de deixar qualquer leitor estupefato.”

    Eu não poderia estar mais enganado.
    Beckett é irlandês, e seu reconhecimento se dá em grande parte pelo seu trabalho como dramaturgo, sendo um dos principais nomes do “Teatro do Absurdo”, vertente que englobava autores de peças teatrais que tratassem de aspectos inesperados da vida das pessoas, desnudando a falta de sentido da vida humana e a irracionalidade que advém disso. “Esperando Godot” é uma de suas principais peças, sendo uma das mais encenadas no Brasil. No ano de 1969, foi premiado com o Nobel de Literatura, por sua “escrita que - em novas formas para o romance e drama - na destituição do homem moderno adquire sua elevação”.
    “Primeiro Amor” é praticamente um conto. Possui 32 páginas, com texto apenas nas páginas pares. O projeto gráfico é uma obra de arte, com ilustrações abstratas nas páginas ímpares, uma capa com uma textura parecida com papel cartão, o texto não é justificado, mas sim alinhado à esquerda – cada detalhe do livro é pensado para enriquecer a experiência de leitura.
    O livro trata, então, da história do primeiro amor desse rapaz, narrador, do qual não sabemos o nome, mas conhecemos as motivações. A genialidade de Beckett é a de colocar essa paixão adolescente não como algo sublime ou gostoso, mas como um fardo – e não um fardo por não ser correspondida, mas sim por ser. Para entender melhor como isso funciona, é necessário entender uma coisa primeiro: o protagonista é um completo babaca.
    A história tem início com a morte do pai desse rapaz. O pai dele era o único que tinha algum apreço por ele, e, depois da sua morte, a família entregou ao rapaz a parte que lhe cabia da herança e o mandou caçar um rumo. Se só isso não bastasse para termos a certeza de que esse protagonista é uma pessoa desagradável, a sensação aumenta com a decisão que ele toma depois disso: em vez de gastar esse dinheiro que ele tem em uma pensão, o dinheiro acabar e ele ter de trabalhar para viver, ele prefere guardar esse dinheiro para um caso de necessidade e começa a dormir no banco de uma praça. E é nesse banco, protegido da chuva pelos galhos de uma árvore, que ele certa noite conhece essa mulher, com a qual ele quase não conversa, e a partir daí se constrói essa relação de silêncios, de diálogos ríspidos e de insistência na presença incômoda um do outro, uma relação nonsense, porém delicada, tratada de um jeito ao mesmo tempo irônico e poético.
    O grande mérito de “grande amor” é esse lirismo irônico que o Becket traz para essa história, colocando um humor ácido em passagens como a de quando ele vai embora de casa, em que ele descreve o clima de festa em que os familiares ficaram após ele ter fechado a porta e conclui “tudo isso é imaginação, naturalmente, já que eu não estava mais lá. As coisas devem ter se passado de modo completamente diverso, mas que importa, a maneira como as coisas se passam, desde que elas passem?”. Ou a de quando ele resolve procurar pela amada com a justificativa de que “quando estou longe dela, passo muito tempo pensando nela, e eu não posso perder tanto tempo da vida com alguém tão insignificante, melhor estar com ela para poder pensar em coisas importantes de verdade”.
    O livro, apesar de curto, é muito denso, e traz mais questionamentos acerca da natureza humana do que respostas ou soluções. É um livro para ser lido, sentido, e que tem um pouco de tudo que esse autor significou para a literatura mundial.

    17 comentários:

    1. que livro interessante, só pela capa já fiquei intrigada, afinal ela não passa nenhuma prévia do que poderia ser a história. Amei muito sua resenha e achei bastante interessante a história, adorei muito!

      www.memoriasdeumaleitora.com.br

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      1. Obrigado, Suzane, eu achei ele livro incrível, vale muito a pena sim, até porque ele é curtinho. Obrigado pelo apoio, foi minha primeira resenha na vida, eu estava bem nervoso (e ainda estou, morrendo de vergonha hahahaah). Estou te acompanhando aqui na blogsfera tbm, muito obrigado :*

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    2. Oie!
      Ainda não conhecia essa publicação e o autor, mas estou intrigada com essa trama.
      Vou anotar essa dica para procurar mais sobre o livro!
      Bjks!
      Histórias sem Fim

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      1. Eu só conheci porque entrei num projeto de ler autores do Nobel, e esse livro foi muito do acaso, mas um acaso muito bom, de uma procurada sim pq vale a pena.

        Obrigado pelo apoio, beijo

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    3. Oi, Alessandro.
      Parabéns pela sua primeira resenha e espero que você escreva mais, viu?!
      Eu já conhecia o autor por nome, mas nunca tive a oportunidade de ler um livro dele. Não sei se começaria por esse, mas vou anotar a sugestão!
      beijos
      Camis - blog Leitora Compulsiva

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      1. Oii Camila.
        Vou te falar que a vergonha é muita, viu? Não sei como vocês conseguem HAHAHAHHAA

        Muito obrigado pelo incentivo, to acompanhando seu blog já, pra ver se pego inspiração e coragem
        beijo

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    4. Olá, eu já ouvi falar da trama de "Esperando Godot" em um episódio muito bom de "ER" (tempo em que eu via seriados). Não conhecia outras obras do autor, portanto, agradeço a indicação. Me pareceu interessante e envolvente. Parabéns pela resenha e que venham outras! Abraços!

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      1. Eu via ER de madrugada na TV (acho que no SBT), era muito bom. Eu fiquei sabendo de Esperando Godot por um outro livro que li, "Cotoco" (do qual eu não gostei NADA), mas acabei começando por esse por pura preguiça. Agora quero ler tudo que esse homem escreveu HAHAHAH

        muito obrigado pelo apoio ^^

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    5. Oi, já ouvi falar nesse livro e no autor e estou muito curiosa em ler livros dele, começando por este e acho que esse livro nos traz um choque de realidade do que realmente pode ser o amor, o que entendemos dele e o que sentimos dele. É um livro de reflexão. Boa resenha.
      bjus

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    6. Oiii!

      eu adoro livros que trazem esse tipo de questionamento e reflexões. Não conhecia essa obra e fiquei animada principalmente por ver que é uma história bem escrita e trabalhada com excelencia principalmente por ter tão poucas páginas. Parabéns pela resenha!

      bejinhos

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    7. Nossa, socorro, só por esse penúltimo parágrafo deu pra ter certeza de que o protagonista é um completo babaca mesmo. Amo Beckett mas o conheci mesmo por causa do teatro do absurdo, fiquei com vontade de ler esse livro e conhecer um outro lado dele, se bem que mesmo sendo diferente também apresenta características em comum, como a ironia, que adoro.

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    8. Olá, tudo bem? Gosto bastante de livros que são feitos para serem sentidos, degustados e lido mesmo. Acho que é uma ótima dica para mim neste momento. Adorei e ótima resenha! E bem vindo ao blog haha
      Beijos,
      diariasleituras.blogspot.com

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    9. Oiii
      Tudo bem?
      Esses livros que encontramos ao acaso geralmente são os que mais nos surpreende, nao conhecia o autor, mas adorei a dica e irei procurar algo dele para ler tbm.
      Bjus Rafa

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    10. Heiii, tudo bem?
      Eu ainda nao tinha ouvido falar do livro "Primeiro Amor"
      Achei bem interessante a premissa e gostei dos pontos que apresentou sobre a obra.
      A capa é simples, mas ainda sim bonita, fiquei curiosa com os rumos dos protagonistas.
      Vou ver se leio tb, acho que vou gostar da escrita da Samuel Beckett.
      Beijos.

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    11. Olá, tudo bem?
      Eu gostei do autor utilizar um humor acido no enredo do livro. Não conhecia o livro mas confesso que gostei bastante da premissa e como tudo irá se desenrolar, já anotei aqui para ler o quanto antes.

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    12. Olá!
      Eu fiquei com bastante vontade de ler essa obra porque gosto de livros que nos fazem questionar coisas que até mesmo parecem ser naturais para nós. Gostei muito da sua resenha e dessa sua dica, com certeza irei ler!
      Beijos.

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    13. Oi Alessandro, tudo bem?
      Estou chocada, risos... Acho que como romãntica incurável esse personagem irá me irritar muito e por isso mesmo, me senti desafiada a conhecê-lo. Achei super diferente o ponto de vista do autor. Não conhecia o livro, mas vou colocar na lista com certeza!!!
      beijinhos.
      cila.
      http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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