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  • 16/05/2016

    Celeuma, de André Leal (Resenha)


    Olá, pessoal!

    Um pequeno detalhe inicial: Esta resenha será um pouquinho diferente, um misto de comentário sobre escrita de textos e sobre algo que escritores devem muito – muito mesmo, mesmo, mesmo – evitar e a resenha propriamente dita do livro “Celeuma”, de André Leal, publicado pela editora Chiado em 2015, contendo 232 páginas. O texto ficou um pouquinho grande, e peço desculpas por isso, me empolguei um pouquinho ao escrevê-lo.


    Primeiramente, precisa-se ver que a produção de um texto não é algo tão simples como jogar centenas de palavras num monte e então colocar um ponto final. Produzir um texto implica em muitos detalhes pequenos, a começar pelo que se está dizendo e qual o propósito disto. Se for um texto informativo, por exemplo, uma notícia, a mensagem precisa ser sucinta, objetiva. Não há espaço para descrições longas e subjetivas quanto ao local, quanto às pessoas envolvidas ou o que as levou a tal ato. O que é diferente de um romance, em que tudo pode ser explorado. Diferente de textos informativos, o gênero romance permite muitas abordagens e formas de escrita diferentes – e tudo também dependerá do narrador, se em 1ª ou 3ª pessoa. Romances, ao contrário de outros gêneros, possuem públicos por vezes bem específicos. “Como assim?” Por exemplo, os livros mais contemporâneos como Jogos Vorazes e A Rainha Vermelha possuem públicos mais adolescentes, o que não quer dizer que outros públicos não possam lê-los, mas sim que a recepção da obra será diferenciada. E isso não só quanto à suposta faixa etária do público-alvo, mas também quanto ao nível de leitura do leitor, a quanta bagagem literária ele já tem.

    E o que isso tem a ver com a produção do texto? Basicamente, tudo.

    Para que fique bem claro, é só pensar em um livro clássico qualquer e na sua adaptação juvenil. O público-alvo das adaptações costuma ser jovens leitores que não possuem gosto pela escrita mais densa/rebuscada/etc. ou mesmo por livros grandes. A história é a mesma, mas a escrita será diferente. Isso importa? Sim, muito. Principalmente se és uma pessoa que se importa com o estilo da narrativa – com a complexidade com que a história é contada, com os detalhes etc. Um livro ganha valor não apenas por sua história, mas também por como essa história é contada.

    Então, pensar no público que pretendes atingir com sua obra é realmente importante. Se queres atingir os adolescentes dificilmente conseguirás se utilizares de uma escrita machadiana, por exemplo – pelo menos não nos dias de hoje. “Preciso pensar nisso quando escrevo meu livro?” Sim e não. Mas acho relevante pensar nisso quando terminá-lo e for publicá-lo.

    Diferente livros, diferentes estilos, gêneros e narrativas.
    Fonte: arquivo pessoal.

    E, considerando tudo isso, convém falar de mais um ponto realmente significativo: a revisão.

    Não existe só um tipo de revisão – pode ser só gramatical, ou focar no sentido etc. Considerando a revisão como uma coisa só – o que talvez não seja algo adequado, mas prolongar muito não é o sentido deste texto –, não se diz apenas de verificar se todos os acentos foram colocados ou “arrumar” as crases. A revisão, que muitas vezes se associa com a reescrita, implica também em organizar o texto deixando-o coeso e coerente. Em outras palavras, evitar frases ambíguas ou que causem estranheza; possibilitar que o texto fique o mais fluído e legível possível. A revisão é uma das partes mais cruciais num texto, que não pode ser ignorada. Após pronto, o texto deve, sem exceção, passar por uma ou mais revisões.

    Porém, apesar de ser essencial, deve-se tomar cuidado com duas coisas. Primeiro que a pessoa a revisar precisa ter um conhecimento mínimo sobre isso; não adianta querer revisar o texto gramaticalmente se não souber a diferença de “a” e “há” ou “entendera” e “entenderá”, por exemplo – isso em questões mais simples. E segundo que, se for o próprio autor a revisar o próprio texto, precisa-se de certo distanciamento do texto. Isto é necessário porque, ao ter escrito o texto, inconscientemente o texto estará formado em sua mente e muitos equívocos – coisinhas simples mesmo – passam despercebidos. O que não quer dizer que a pessoa não saiba corrigi-lo, mas que, ao não manter esse distanciamento antes da revisão – pode ser um ou dois dias ou mesmo semanas e meses –, muito provavelmente não conseguirá detectá-los. Nem todas as pessoas ficam preocupadas se há ou não há erros na escrita, mas, para quem se incomoda com isso, é realmente perturbador. A leitura sofre pausas, e mesmo momentos de irritação – para quem não entende isso, deixo a seguinte comparação: pense em estar ouvindo uma música ou algum programa audiovisual e por algum motivo sinistro a mídia fique pausando, mostrando estática... (muito provavelmente vais precisar respirar fundo para continuar ouvindo/assistindo). Enfim, como eu disse antes, o livro não é apenas a história, mas como a história foi contada – e os erros contam.

    Fonte: arquivo pessoal.

    Começarei meu comentário de “Celeuma” por esse ponto: sua revisão. Não sei como funciona o processo de publicação de um livro, tenho apenas uma vaga ideia. Também não sei afirmar se a editora disponibiliza ou não o serviço de revisão; imagino que fique a critério do autor. Apesar disso, quando o leitor se depara com um livro cheio de erros, a primeira coisa que vem à mente é que a culpa é da editora. Sendo um pouco chata com revisão, peguei o costume de observar nas primeiras páginas do livro se houve algum revisor, e quantos foram. Porque, sim, muitos livros recebem mais de uma revisão – e aqui entra a questão de diferentes revisões. Primeiramente, a “culpa”, ou melhor, a responsabilidade, quanto aos erros é do escritor, mas ele não tem a obrigação de escrever tudo perfeitinho, até mesmo porque sem o distanciamento do texto dificilmente ele conseguiria corrigi-lo. Para isso existem revisores! Enfim, todo mundo erra, é normal passar um ou dois errinhos. O que não pode ser deixado passar é um livro inteiro repleto de erros e equívocos. Da primeira à última parte. “Celeuma” deixou a desejar a partir do momento em que o próprio autor é o revisor da obra. E o motivo já foi explicado.


    Eu poderia dizer que deve ser porque não faço parte do público-alvo da obra, mas isso não muda o fato de que há erros. Não é porque o público não será leitor de clássicos e chatos com revisão que o livro deve deixar a desejar nisso. Mas talvez o público-alvo sequer note os erros, e daí? Bom, sinto muito, eu notei.

    Bem, falemos da obra em si. O que é, afinal, “celeuma”? Eu só vim a me deparar com esta palavra pela primeira vez quando vi o livro no catálogo da editora Chiado. Devo admitir que a capa chamou muito a minha atenção – mas falarei disso depois. O próprio livro, nas primeiras páginas, traz uma definição sobre o que é “Celeuma”. 

    Definição de Celeuma encontrada no livro.
    Fonte: arquivo pessoal.
    Um dos pontos que mais chamou a minha atenção na obra foi o estilo da narrativa pelo qual André Leal optou. É um misto de peça de teatro com prosa. Os diálogos são utilizados como nas peças, isso é, há o nome de quem está falando e, logo após, a fala. Porém, senti falta de algo como dois pontos após o nome; essa escolha de nome e logo após a fala ficou estranha.  E há a prosa no que se refere aos pensamentos – e falas – do narrador do capítulo. Aliás, são vários narradores, sendo todos integrantes da história. É possível notar que o narrador do capítulo não possui suas falas como os outros; podemos perceber suas falas a partir de seus pensamentos. Esta é uma estratégia realmente interessante, e, embora nem sempre saibamos o que exatamente o personagem falou, temos uma ideia – então, não se preocupem, isso não dificulta a leitura. Esta estratégia, contudo, não funciona com apenas uma personagem: a Paloma. Nos capítulos dela há as suas falas. (Será que foi de propósito?).


    Estilo narrativo optado pelo autor.
    Fonte: arquivo pessoal. 

    Bom, sobre o que é o livro? Deixarei que a sinopse da contracapa responda:

    Celeuma conta a história de uma idosa que se dedica ao propósito de atormentar o próximo. Com sua capacidade única em criar intrigas e mentiras, passa o tempo controlando a vida alheia na tentativa de impor do alto de sua pequenez seu pensamento limitado e mesquinho. Determinada a acabar com o casamento do genro se aproveita da ausência do mesmo iniciando uma jornada ditatorial em prol da moral e dos bons costumes na esperança de reviver um passado distante e improvável. Contudo suas armações e revelações desenterram segredos questionando o caráter dos envolvidos alimentando a fornalha que move o conflito em sua mais pura personificação; o ser humano. (esta sinopse pode ser encontrada na contracapa do livro, no próprio site do livro ou no catálogo da editora Chiado).

    Embora não seja um ponto realmente importante para a obra, gostaria de falar um pouco sobre essa personagem, a Paloma. Antes de qualquer coisa, meu conhecimento sobre Psicologia e Psiquiatria é muito limitado, então, caso eu diga algo errado, sintam-se à vontade para me corrigir – afinal, minha área não é essa. Paloma é a terapeuta de Fabrício, que é filho de Nívea e Rodolfo e neto de Celeuma – mas depois falo dela. Pelo que pude compreender, Fabrício – um rapaz de vinte anos – está fazendo terapia por não aceitar a separação dos pais, se revoltando com isso, jogando a culpa de tudo que acontece na separação deles – isso é, o problema é uma questão familiar. Nos meus limitados conhecimentos, acredito que essa seria uma situação em que um psicólogo atuaria, pois é algo relacionado ao emocional, em sessões semanais. O personagem Fabrício, no que se mostra dele no decorrer do livro, não possui “problemas” mais sérios, nada que chegasse ao ponto de precisar de um psiquiatra – que, aparentemente, não possui sessões semanais, e sim mensais, ao contrário do que aparece no livro –, que costuma ser o mais recorrido em situações que necessitam de medicação ou coisas do tipo. E, contudo, Paloma não é psicóloga e sim psiquiatra, formada em Medicina com especialização em Psiquiatria. Particularmente, achei que ela fugiu muito de seu papel profissional – mesmo que eu não entenda bem dessa profissão, pois deixou a situação extrapolar dos limites para decidir se pararia as consultas com Fabrício. Tudo bem que essa é uma situação que pode sim acontecer, e deve acontecer mesmo, mas a questão não é bem explorada, nem mesmo é demonstrado o quanto isso é errado, que é uma falta de ética – embora diga que aquilo poderia pôr sua profissão em risco. O problema disso é deixar que pessoas que não compreendem isso o levem como uma verdade; formem um estereótipo de psiquiatra. E o que Paloma passa é o seguinte: uma mulher com problemas que se deixa levar pelos sentimentos, que não explora o problema de Fabrício – que é a separação dos pais e como isso o afeta – e sim questionando o que ela acha mais conveniente. (Mas não aparece que ela mesma foi atrás de um psicólogo! Simplesmente porque NÃO foi... Como assim? Ela também precisava!).

    Nos primeiros capítulos de Paloma são descritas as consultas, apenas diálogos (com um resumo da sessão ao final). É a única narradora que expõe diretamente sua fala, mesmo quando não está narrando a consulta.

    Há outras personagens que poderiam ser mencionadas e comentadas aqui, que possuem sua relevância na história, como: Nívea; Dulce; Verônica; Luciana; Rodolfo; Celeuma; Fabrício; Gisele; a chinesa Ling Lean; e o detetive Marlon. Porém, como falar de todos seria exaustivo e prolongaria muito, resumirei comentando da Celeuma, da Verônica, da Gisele e da chinesa. Os quatro pontos mais essenciais da obra.


    Quanto à chinesa, é interessante notar que o autor expôs que a diferença entre chineses e japoneses nem sempre é considerada – a Celeuma, por exemplo, sequer se dá ao trabalho de diferenciar, para ela é tudo igual. E essa questão entre chineses e japoneses me lembrou do livro “Um Hotel na Esquina do Tempo” de Jamie Ford, obra em que essa questão é muito mais evidente e explorada (que, aliás, já resenhei e recomendo o livro). Outro ponto em relação a essa personagem, e que acho que deve ser mencionada, é o estereótipo de estrangeiro falando português. Não posso dizer se está certo ou errado, se um chinês falaria assim ou diferente, até porque desconheço muito desse idioma, mas me pareceu fonte de um “humor” meio trágico/preconceituoso. Ling Lean mistura uma fala de português e inglês, e possui falas como “Marido ser do máfia chinês”, o que me faz lembrar do preconceito de quem não fala “bem” e usa muito o “mim” e o “ser”. Posso estar errada ao falar disso, mas foi um pouco do que pensei lendo o livro...

    Quanto à personagem Gisele... Fica até um pouco difícil dizer o quanto soou estranho, para mim, o fato de ela ser a filha mais velha, 38 anos, e ainda assim culpar a separação dos pais por todos os problemas familiares. Que nem o Fabrício. Eu entendo que a separação seja algo complicado para crianças e adolescentes, mas adultos? A ponto de beberem demais e culparem os pais? Simplesmente não entendo. Gisele tem 38, mas age como uma adolescente rebelde e bêbada.

    Será que isso é uma crítica indireta a quanto os filhos permanecem na casa dos pais e dependem deles? Não sei dizer.

    Fonte: arquivo pessoal.
    Uma personagem que achei interessante é Verônica. Não me recordo da idade dela, mas ela era namorada do Fabrício até que houve um acidente que matou seus pais, deixando-a numa situação bem devastadora. Diante do seu sofrimento, viu em Luciana, irmã de Fabrício, um ponto de conforto e segurança; algum tempo depois se casaram. Para resumir, a Verônica e a Luciana são as personagens que representam o movimento LGBT. Aliás, a história se passa em 2014, no estado de São Paulo – mostra a questão da copa (o famoso 7 x 1) e a falta de água; o que acabam sendo pontos interessantes que permitem que o leitor tenha maior contato com o contexto social da obra. O que eu achei quanto a Verônica é que ela é como a personagem Abóbora de “Memórias de uma Gueixa”, do Arthur Golden, uma ótima personagem, mas que fica meio que de canto, inexplorada. O acidente de seus pais é mencionado mais de uma vez, mas não sabemos realmente o que aconteceu, por que etc. O livro num geral, afinal, não explora o drama e a tragédia (Triste... muito triste... Queria drama </3).
    Por fim, a última personagem que comentarei, e a que devia ser a mais importante: Celeuma. Na verdade, seu nome é Selma Rosário Marcondes, mas, por ser responsável por intrigas, tumultos e confusões é chamada de Celeuma. O engraçado é que não percebi os personagens a chamando de Celeuma nas falas diretas, apenas nos pensamentos/falas indiretas. Nas falas diretas, é apenas “tia”.
    “Paloma Você disse que ela é idosa...
    Fabrício Vai fazer 80 e não para um minuto.
    Paloma Ótimo na idade dela praticar exercícios.
    Fabrício Meu pai diz que ela vendeu a alma pro diabo!
    Paloma Credo!
    Fabrício E por isso vai viver até 150 anos.
    Paloma Ele não gosta dela?
    Fabrício Não!
    Paloma E sua mãe?
    Fabrício Tem medo de entrar em atrito.
    Paloma E ela mora com vocês?
    Fabrício Mora no fim da rua, mas não sai lá de casa.
    Paloma É mais uma pra tumultuar...
    Fabrício Quanto mais gente mais confusão.” (p. 70-71, capítulo narrado por Paloma)

    Essa “tia” Celeuma tem 79 anos, e não aceita nada que fuja dos conceitos morais de antigamente, trazendo à tona diversos preconceitos que, infelizmente, ainda há hoje em dia. Essas falas aparecem principalmente nas críticas dela referente a outros personagens, como esta citação abaixo.  

    Celeuma Depressão é coisa de gente molenga” (p. 138)

    É interessante que durante a leitura dá para perceber os equívocos da “tia” Celeuma e que, mesmo que as pessoas tentem corrigi-la, é como se falassem com as paredes. A personagem é uma representação da resistência às mudanças sociais, de como as pessoas se prendem as próprias opiniões e não aceitam mudá-las. Claro que, com quase oitenta anos, realmente é mais complicado mudar de opinião, já que os valores morais e tudo o mais já estão moldados e firmados no indivíduo, mas não deixa de mostrar que os valores adquiridos na infância e na adolescência quando na fase adulta serão mais dificilmente enfrentados. O que é diferente nas crianças, que aceitam tudo com mais naturalidade, dado que ainda não formaram e/ou moldaram os conceitos que regerão suas vidas.

    “A velha possuía uma capacidade única de tumultuar ambientes. Como um ditador em seu cavalo instituía um clima ostensivo de desconfiança no ar. Reclamava até mesmo quando tinha razão, não tolerado a incompetência humana e batendo de frente com as pessoas pelos motivos mais cretinos” (p. 17, capítulo narrado por William).

    Num geral, considerando o diferencial da narrativa, a história tem um bom desenvolvimento. Há bastantes trocas de capítulos, que costumam ser curtos, e as cenas passam rapidamente. A linguagem é bem simples, se aproximando da informalidade, não havendo descrições excessivas. É uma obra que pode ser lida rapidamente, o maior problema ainda é a revisão. Desculpe-me, mas ficou ruim. =\
    Quando terminei de ler o livro, fiquei um pouco curiosa para saber se havia comentários sobre esse livro, querendo ver se deixei algo interessante passar despercebido (afinal, o problema da revisão pode ter me cegado um pouquinho); só encontrei os que estavam na página online do livro. Mesmo estes são curtinhos e não expõem grande coisa. Atrevo-me a chamá-los de superficiais, embora isso seja devido ao tamanho e ao propósito deles, que é exatamente serem breves. Enfim, considerando que não encontrei resenhas do livro, decidi-me por falar de tudo que considerei relevante na obra. É muita coisa, tive que retirar algumas falas. Só que não posso deixar de comentar sobre o último capítulo, que é um “baita” spoiler, mas que muda totalmente a visão que se tem do livro. Portanto, o próximo parágrafo contém spoilers, caso queira evitá-los, pule-o e vá direto ao seguinte.

    Fonte: arquivo pessoal.
    São duas coisas que gostaria de comentar. A primeira é que o capítulo final é narrador por um personagem desconhecido que só aparece ali, para narrar e finalizar o livro. O Norberto, que investigava o caso apelidado de CELEUMA. Omitirei alguns detalhes, o ponto é que, após a leitura deste capítulo, o livro inteiro parece ter sido feito como parte da investigação; e sabemos disso porque tudo que foi lido é de conhecimento do Norberto. Sim, tudo, mesmo as cenas “inadequadas a menores” – o que, convenhamos, deixa o livro com cara de “nacional contemporâneo”, novela exagerada. Esse investigador não tem o menor tato, ou mesmo sigilo profissional, conta tudo que sabe, resumidamente (porque o capítulo é pequeno), para quem está ouvindo. Ok, mas qual o problema disso? O seguinte: se tudo foi narrado para a investigação, bem, então há cenas realmente desnecessárias, talvez até difícil de acreditar que teriam sido contadas a uma pessoa desconhecida. Em outras palavras, inverossímil. Mesmo sendo para investigação. Não sei se esse foi o objetivo desse capítulo final, mas estragou boa parte do livro.

    Leitores, nem tudo está perdido, tenham calma! Tem algo lindo nesse livro que preciso muito comentar: a edição. A primeira coisa que chamou minha atenção nesse livro foi a capa, de algum modo ela me fascinou. Eu não sou fã de laranja, mas a árvore escura realçando com a cor laranja e o escrito branco... Adorei! Esses quadradinhos, que eu imagino que representem aquelas fotos antigas, fizeram-me pensar, antes de ler o livro, que poderiam representar a resistência às mudanças, o apego ao passado, a distância abissal que se cria com o passar das gerações. Também pensei que o fato de ser uma árvore enfatizava ainda mais isso, por ser algo que leva tempo para crescer e quando as raízes se fixam é difícil mudá-la. Até mesmo porque algumas árvores quando mudam de ambiente não reagem bem e morrem. E isso é tão fascinante, me trouxe uns pensamentos bonitinhos de drama, tragédia, intrigas e narrativas filosóficas... E acabei criando expectativa demais por causa da capa. Ademais, as páginas são bem diagramadas e amarelinhas e o livro é bem leve. Quanto à edição, só reclamo da revisão mesmo, o resto está lindinho. (Parabéns, Chiado!)

    Enfim, o livro tenta ser engraçado, e talvez seja mesmo. Mas, talvez, eu não tenha o senso de humor para entender a graça do livro. Também tenho que deixar bem claro que sou bem chatinha com livros, inclusive com revisão. Então, se a pessoa gosta de rir ao estilo de comédia tipicamente de coisa “popular” brasileira, com cenas exageradas etc., não ficar reparando na revisão, bom... Nesse caso eu recomendo o livro. Em outros casos, é, desculpe-me, de novo, não.


    Então, pessoal, principalmente quanto à parte inicial deste texto: minha opinião aqui não está argumentada com autores, pois não acho que isto tenha sido algo que necessitasse disso. Mas isso não significa que não tenha lido a respeito, afinal, faço Letras. Meus comentários são apenas isso, comentários; a minha opinião sobre isso. Pode estar equivocada, claro. E cada pessoa possui seu gosto; eu posso não ter me agradado, mas há quem pode gostar.

     Espero que não tenham sido minutos perdidos lendo este texto. Mas agradeço se tu, leitor, leste tudo. ^^

    2 comentários:

    1. Olá, Paula. ^^
      Estava aguardando ansiosamente por essa resenha, ainda mais porque acompanhei a leitura e ouvi teus lamentos em relação à revisão.
      Sobre a estória, acho que não faz o meu estilo, prefiro drama também, não costumo ler livros de comédia.
      E que lindo esse teu olhar sobre a capa do livro, muito profunda tua análise (vais arrasar no artigo de Semiótica).

      Beijinhos, Hel - Leituras & Gatices

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      Respostas
      1. Olá, Helena. =)
        Pois é... a revisão... T^T
        É, também não, drama sempre tem um espaço maior~ *-*
        Obrigada. ^^ (Não tenho muita certeza disso, mas... espero que sim, porque preciso de nota. xD)

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