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  • 27/05/2016

    A Teoria do Medalhão, de Machado de Assis (Resenha)

    Fonte: A montagem é minha, com foto do Google. Disponível em: <https://kaabjihad.files.wordpress.com/2014/04/arte-corrupcao-11.jpg>. Acesso em: 23 maio 2016.
    Olá, pessoal!
    É provável que grande parte do povo brasileiro já tenha lido ou ouvido falar de Machado de Assis – aqui no blog, a Tainan já postou um de seus contos, o “Uma carta”. Grande escritor brasileiro, Machado de Assis é autor de obras como “Dom Casmurro”, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Helena”, “Quincas Borba” entre outras, incluindo contos, crônicas e poemas. De seus contos, gosto muito de “O alienista” e “A Teoria do Medalhão”, pelas críticas que trazem. Este é o que comentarei desta vez. Já adianto que, mesmo sendo um conto (e, portanto, curtinho), há muito a ser dito. A obra pode ser facilmente encontrada online, mas a versão que li é esta.
    São seis páginas de diálogo (entre pai e filho), sem descrição alguma de ambiente ou pensamentos. O conto foi publicado em 1881, mas muitas de suas reflexões ainda hoje são úteis e permanecem vivas na sociedade. “A Teoria do Medalhão”, basicamente, é sobre um pai dando conselhos ao seu filho na véspera de seu aniversário de vinte e dois anos; sobre o que deve exercer futuramente, que atitudes tomar perante a sociedade, o que evitar etc.

    “Isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seus ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante”.

    Apesar do vocabulário que pode dificultar um pouco a leitura, e nada que um dicionário não resolva, percebe-se uma visão interessante a que o pai passa ao filho. Como a citação acima, tem-se clara a perspectiva de vida com altos e baixos, mas que se precisa aceitá-los. Particularmente, fascinou-me o diálogo iniciar com esta visão da vida, ainda mais percebendo o que se desenvolverá depois; percebendo-se, afinal, o que pode ser a teoria do Medalhão. Também logo ao início, vemos que o pai deseja a carreira de Medalhão ao filho por não ter tido orientação quando ele era jovem.

    “Ser medalhão foi o sonho da minha mocidade; faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além das esperanças que deposito em ti.”

    Isso muito remete à pressão social que os pais impõem aos filhos, isso é, dizer a eles o que devem ser; colocar expectativas e desejos sobre os filhos. Como se os filhos, muitas vezes, viessem ao mundo para realizar o que eles não puderam ser. Ao mesmo tempo, vê-se o desejo de melhora de vida; se não tive acesso a uma boa educação – por exemplo – quero que meu filho o tenha. É, afinal, o que move a sociedade, o desejo por condições melhores – claro que daí entra outra questão, como o desejo coletivo ou individual, mas é outro tópico, e deixo apenas a questão em aberto por aqui.

    “As livrarias, ou por causa da atmosfera do lugar, ou por qualquer outra, razão que me escapa, não são propícias ao nosso fim”.

    A conversa flui, e, pelas falas do pai, vê-se que este espera que o filho não crie ideias próprias, pois isso é um perigo; deve-se utilizar de ideias já pensadas e escritas, circuladas pelo povo. Ser crítico, logo, era indesejável. Segundo ele, o filho deve ter um ar grave, educado, esperto, ser como que um símbolo social, utilizar até mesmo da publicidade. Em outras palavras, ter status, mas não ser inteligente. Conforto, mas não criticidade. Criar-se, portanto, uma zona de conforto. O que é, convenhamos, o que se espera que não se faça hoje em dia – pelo menos, é o que muito ouço no curso e grupos que participo.
    Isso me faz pensar: O que será que fazemos, criamos nossa zona de conforto, ou nos mexemos em busca de melhorias?

    “O passeio nas ruas, mormente nas de recreio e parada, é utilíssimo, com a condição de não andares desacompanhado, porque a solidão é oficina de ideias, e o espírito deixado a si mesmo, embora no meio da multidão, pode adquirir uma tal ou qual atividade”

    Esta citação, em particular a frase “a solidão é oficina de ideias”, me lembrou do livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley – leitura que fiz devido ao Clube o Livro para este mês de maio. Na obra de Huxley, buscou-se uma sociedade utópica, e, para isso, fez-se com que as pessoas não pensassem. Pensar era perigoso; para isso elas não deviam, jamais, permanecerem sozinhas. Porque “a solidão é oficina de ideias”, é espaço de reflexão, de se avaliar o que o cerca e do que está certo ou errado. É um espaço para pensar em si mesmo. Em “Admirável Mundo Novo” vê-se uma crítica estupenda sobre desejos utópicos, sobre divisão de classes etc. Esta, aliás, é uma leitura que recomendo (Caso não conheçam a obra, sugiro assistir a este vídeo da Beatriz, que é uma ótima apresentação da obra. ^^). Assim como também recomendo a leitura deste conto do Machado de Assis.

    Embora tenha sido uma breve resenha, espero que tenha conseguido passar ao menos um pouco da essência do conto, que mesmo datado de 1881 ainda perpassa questões tão atuais. Enfim, já conheciam o conto? O que acharam?

    2 comentários:

    1. Nunca li, mas parece ser bem interessante. Machado de Assis é um excelente autor :) Quero ler em breve!

      www.vivendosentimentos.com.br

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      Respostas
      1. Olá! Sim, é bem interessante! =)
        Concordo contigo. Sim, leia~ Vale a pena. =)

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