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  • 23/03/2016

    Sob uma luz alaranjada (Conto)

    Olá, pessoal!
    Desta vez trago algo um pouquinho diferente, mas continua sendo algo dramático. Numa das aulas de Escrita Criativa do meu curso tivemos que escrever um conto a partir de alguma história contada em sala de aula pelos colegas, sendo de fatos reais que aconteceram. Bem, a proposta era buscar elementos de alguma das histórias contadas e acrescentar mais elementos, para que depois a turma descobrisse a qual história o conto pertencia. Pois bem, a história a seguir foi a minha tentativa de produção textual. Espero que gostem. =)

    Fonte: Google

    Sob uma luz alaranjada
    Numa noite sem nuvens, cujas estrelas brincavam incansavelmente, o sólido alaranjado escorria do poste de luz sobre a rua descobrindo relevos afiados e estáticos. Gatos brancos inquietos passavam pelas grades do cercado, prestes a aproveitar a noite de maneiras que os humanos jamais desconfiariam. Talvez fossem como os gatos de A busca onírica por Kadath, talvez se encontrassem em gangues noturnas criando planos para o domínio mundial, ou talvez apenas andassem matando o tempo – o que não deixaria de ser suspeito. Do topo de uma árvore podia se ver um par de olhos brilhantes, ameaçadores, como que pertencentes a um caçador cruel e sem piedade. Apesar do ar suspeito e insólito, era uma noite calma, quase sonolenta para os padrões da época.
    A poucos metros do único poste com luz da rua havia um ponto de ônibus; apenas uma pessoa ali se encontrava. Embora na rua não houvesse um terreno sequer sem habitantes, os postes estavam com suas lâmpadas queimadas, e da parada de ônibus pouco se podia ver das faces e expressões de quem ali se encontrava. Alguns longos minutos se passaram, e o jovem no ponto de ônibus começava a ficar entediado com a noite de aspecto insólito. Um farfalhar na árvore próxima o assustou, mas lhe revelou apenas um gato malhado de olhos brilhantes. As batidas do coração a mil, quando começou a ouvir passos na rua de lajotas. Eram passos rápidos, de alguém que presumia estar prestes a perder o ônibus. Nas grades atrás do ponto de ônibus um miado de um gato parecia chamar pelo espécime malhado que partira dali há pouco tempo.
    Passados uns poucos minutos, havia ali, no ponto de ônibus, dois jovens; ele já esperava pelo transporte há uma meia hora, ela acabara de chegar, um pouco sem fôlego e nervosa. Dali eles não haviam como saber que o próximo ônibus se atrasaria meia hora a mais, devido a um pneu furado e um motorista irritado. Muito menos de que, embora improvável, algum pequeno felino estressado era o responsável por esse pequeno-grande problema.
    Com a bolsa no ombro direito, a moça toma o celular nas mãos para conferir a hora, encontrando apenas uma tela escura, sem bateria. A preocupação pela perda do ônibus a faz perguntar ao rapaz, que ali se encontrava, o horário; ela queria saber se ainda estava dentro do horário do próximo ônibus. E eis que o atraso vira assunto e uma pequena conversa para matar o tempo durante a jornada do furioso motorista que pretendia terminar sua rotina antes das onze horas. A conversa se arrasta como os feixes alaranjados do poste de luz sobre as grades e cercas das casas próximas, e sobre o colar prateado de pingente de gato da moça.
    Um miado perpassava, volta e meia, próximo aos dois jovens, mas nada de sinal do ônibus.
    Furioso, xingando e esbravejando, finalmente o motorista conseguira resolver seu problema, tendo ligado a um colega e conseguido outro ônibus para terminar o percurso. A questão do pneu seria resolvida pela manhã. O ponto de ônibus no qual esperavam os dois jovens era o antepenúltimo ponto, e em pouco tempo o ônibus parou para que eles embarcassem.

    A moça embarcou primeiro, mas quando o rapaz a seguiu, questionando seu nome, percebera que ela sumira. Nos diversos bancos, restavam apenas mais três passageiros, um idoso, um bêbado e um gato pardo de coleira prateada. Enquanto o ônibus voltava a andar, o miado do pequeno gato preencheu o ônibus, se afastando da iluminação laranja do único poste de luz que funcionava naquela rua.

    4 comentários:

    1. Olá Paula!
      Adorei o seu conto, parabéns. Muito criativo mesmo, ficou perfeito, até um pouquinho assustador hehe.
      Parabéns de novo!
      Beijo
      http://www.blogleituravirtual.com/

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      Respostas
      1. Olá, Marina!
        Obrigada. ^^
        A intenção era deixar com um tom dramático mesmo~
        Fico contente que gostou! =)

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    2. Oii Paula tudo bem?
      Eu devo dizer que amei o seu texto. Também escrevo, faço Jorn. E ultimamente tenho comparado a escrita. A sua me lembrou um pouco a escrita de Gay Talese, a forma como você escreveu e desenvolveu o seu conto.
      p.s. Qual seu curso?
      Parabéns :)

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      Respostas
      1. Olá, Déborah!
        Fico contente que gostou~ =)
        Ah, interessante comparar as escritas! =o
        Não conheço esse autor, mas darei uma pesquisada depois.
        Faço Letras (Português e Inglês)~
        Obrigada! =)

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