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  • 29/02/2016

    Que professores nós queremos?

    Créditos: Site da Unesc - Foto retirada nesta terça-feira (23/2).
    Sou acadêmica do curso de Letras da Unesc, atualmente na sétima fase, último ano – com direito a estágio supervisionado e o não tão abominável TCC. Fazer parte de um curso de Licenciatura me trouxe muitas experiências e conhecimentos que eu sequer imaginava antes de ingressar no curso. Obtive algumas oportunidades que muito me acrescentaram, como o estágio da prefeitura de Criciúma, a participação de grupos de pesquisa – o grupo de tradução Verbis Sensus e o grupo a respeito da formação de professores Políticas, Saberes e Práticas da Formação de Professores – e o PIBID. Essas oportunidades significaram muito na minha formação, me possibilitaram conhecer e ter uma nova visão de mundo, me ajudaram a crescer não apenas profissionalmente, como pessoalmente também. E diante desse momento em que tanto se está falando do Pibid, resolvi trazer um pouco da visão que tenho sobre a influência desse programa na formação de professores. Para quem não conhece, talvez, apenas talvez, possa pensar que o projeto não é grande coisa. Mas deixe-me esclarecer alguns detalhes sobre a minha experiência com esse programa.
    Primeiramente, embora não seja necessário dizer, é fato que apenas a graduação não prepara totalmente o acadêmico de licenciatura para sua atuação. Três, ou mesmo quatro anos, não são e nunca serão suficientes. O professor nunca está, de fato, formado. É algo constante, que vai se aprimorando conforme os anos passam, porque é uma profissão que envolve lidar com pessoas, com crianças e adolescentes ainda em crescimento. Em fases importantes de suas vidas, que merecem receber uma educação de qualidade e suporte adequado para melhor se desenvolverem. Afinal, é durante a fase escolar que os alunos escolhem determinado rumo de suas vidas, quando moldam seus valores morais e constroem a base de toda a sua vida. Não seria, então, mais do que necessário oferecer uma educação de qualidade? Oferecer do bom e do melhor? Não é a educação que irá moldar nosso país?
    Para isso precisam, primeiramente, pensar na formação de professores. Como eu já mencionei, só o que a faculdade proporciona ainda não é suficiente. Não digo que ela não cumpre com o seu papel, pelo contrário, como curso de formação inicial muito nos é oferecido e desde que saibamos aproveitar serão anos muito gratificantes, de fato. Contudo, é limitado o tempo que é dedicado a presenciar salas de aula antes de estágios ou de atuar como professor habilitado.
    E é aí que o Pibid entra! Pois proporciona o contato com a sala de aula, sob a supervisão de professores já formados, para que conheçamos o que nos espera e para melhor nos prepararmos futuramente. Este contato não é insignificante, é crucial. Sempre lembro, ao falar disso, de uma fala de Nóvoa sobre a formação dos médicos; antes de se formarem, eles têm um período de observação com médicos já formados, no qual podem observar o dia a dia da profissão e tirar suas dúvidas antes que estejam já no mercado de trabalho e tendo toda a responsabilidade sobre si mesmos, sem a ajuda de alguém já com experiências, com tempo para retirar suas dúvidas e dar conselhos.
    Mas não apenas isso! O Pibid vai muito além. Também nos ajudou a ver que o professor não é apenas formado pelo seu lado profissional, deixando o pessoal “do lado de fora”. Nos encontros do Pibid aprendemos que o professor não pode “abandonar” seu lado pessoal durante as aulas, até pelo contrário, ele não pode esquecê-lo. É claro que sempre há limites e suas exceções, mas o que conta é que o professor não se esqueça de dedicar um tempo a si mesmo, um tempo para ler um livro ou assistir um filme. O professor não pode estacionar e ficar se repetindo ano após ano. Durante nossa formação, pudemos ver que a repetição é sinônimo de “zona de conforto”, o professor não busca novidades, não é crítico, não busca formas diferentes de ensino, enfim, não questiona. E ser crítico e questionar é justamente o que devemos ensinar aos alunos, a pensarem por si próprios, a não aceitarem qualquer opinião que lhes forem impostas. A saber ver os dois lados da história – aqui lembro do vídeo que vimos mais de uma vez na faculdade, da Chimamanda Adichie – e sempre buscar dialogar com os companheiros.
    O Pibid me ajudou a ver que o trabalho de um professor não é algo isolado, não é feito por uma só pessoa, e que essa não deve ficar “só na sua aula e pronto”. A aula sequer é DO professor, é PARA os alunos. No subprojeto Interdisciplinar do Pibid vimos que um trabalho em grupo não pode ser dividido em partes; o grupo precisa ter conhecimento de todo o projeto. Numa escola não se pode trabalhar isolado, afinal, é um trabalho com seres humanos em formação; os professores precisam conversar entre si, compartilhar as experiências que dão certo, e que não dão certo também. Porque mesmos as experiências negativas são importantes.
    Devo admitir que por muitas vezes toda essa nova perspectiva da profissão me assustou. Ser professor, mas ser um professor de verdade, não é fácil; pelo contrário, é difícil e desafiador. E ser um professor interdisciplinar então? Será que estamos preparados a nos arriscar a esse desafio? Porque para isso serve também o Pibid. Não é apenas um programa em que vamos às escolas e fazemos projetos; não é apenas reuniões na universidade para estudarmos; é os dois juntos e um pouco mais.
    É a partir do Pibid que você começar a se definir como professor, quando está em sala de aula e percebe o que (não) funciona, que começa a moldar que tipo de professor você quer ser. Além disso, o projeto contribui com o professor em sala de aula, que, muitas vezes, em decorrência da carga de trabalho, acaba não se renovando. Por meio do Pibid ele terá contato com o universo acadêmico novamente e, assim, aprende novas formas de ensinar, tem novos conhecimentos, entre outros pontos importantes.
    Contudo, o mais importante é como o Pibid contribui com o aluno em sala, ao trazer projetos e práticas diferentes, pois assim possibilita uma forma diversificada que contribuirá com os conhecimentos dos alunos. Exemplo, por meio do Pibid Interdisciplinar – ao qual faço parte –, os alunos estudavam Língua Portuguesa, História e Artes juntas, de uma forma fluída, lhes proporcionando um ensino mais completo, mas de uma forma mais leve.

    Neste texto todo talvez eu ainda não tenha esclarecido o quanto foi e ainda é relevante participar do Pibid. Mas o principal, apesar de tudo, é que acho relevante pensar o seguinte: Que professores queremos para o futuro do Brasil? 

    4 comentários:

    1. Olá.
      Meu sonho é me formar um dia em Letras!
      Acho linda a profissão de professor, e concordo com tudo o que escreveu.
      Não só a profissão de professor, mas em todas, a gente não pode se estacionar, deixar a rotina nos vencer e trabalhar de modo obrigatório.
      Tudo na vida precisa ser feito com amor e dedicação...parabéns pelo lindo texto escrito e pela suas ideias para praticar em sua profissão.
      Melhor fosse se todos os professores pensassem como você.

      Muito sucesso em sua carreira!

      Beijos, Bá.
      http://cafecomlivrosblog.blogspot.com.br

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      Respostas
      1. Olá! =)
        Que legal! Espero que consiga! \õ
        Sim, é uma profissão bonita, concordo. Auxiliar na construção de conhecimento é realmente admirável - e isso não é apenas quanto aos professores.
        Verdade, estacionar é um problema em qualquer profissão, acaba acomodando a pessoa. É uma pena que depois da acomodação fica difícil querer mudar. =x
        Bom, as coisas estão mudando, quem sabe daqui uns anos não vemos um número maior de professores críticos, reflexivos e dedicados? x)

        Muito obrigada!
        E muito sucesso para você também! *-*

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    2. Arrasou no texto, Paula. Concordo com tudo o que você pontuou: professores não podem atuar isoladamente, nem estagnar em suas metodologias, acho que partindo daí já é um bom começo. É necessário mais união e compromisso entre a classe dos professores, pois, justamente por se tratar de uma profissão inerentemente social, é preciso buscar auxílio no outro, que pode e deve contribuir na nossa formação. O diálogo é a chave de tudo!

      Espero que o que aconteeu com o PIBID não se repita, foi um sufoco pensar que um programa de uma magnanimidade tão grande pudesse ser cortado, as experiências que oportunizamos para os alunos de escolas públicas foram e são deveras importante para o desenvolvimento do país, no que tange a formação de indivíduos pensantes e críticos.

      Enfim, seu texto é de utilidade pública, muito bom!

      Beijos, Hel.

      Leituras & Gatices

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      Respostas
      1. Oi! =)

        Exatamente, o diálogo é a chave de tudo!
        Pois é, seria bom se isso não voltasse a se repetir.
        Concordo plenamente contigo. ^^

        Obrigada! ^^

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