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  • 18/12/2015

    Peter Pan - J. M. Barrie (Resenha)

    Olá, leitores!

    Para o mês de dezembro, o Clube do Livro que participo optou pela temática “Órfão”, sendo que o livro escolhido desta vez fora “Peter Pan”, de James Matthew Barrie. A edição que li é da coleção Clássicos Zahar, lançado em 2013, com tradução de Julia Romeu. Como já havia lido “Contos de Fadas”, desta mesma coleção, e tendo em vista o que aprendemos na disciplina de Literatura Infantil e Juvenil, já tinha uma ideia de que possivelmente não seria uma história tão bonitinha (Um belo exemplo seria A pequena sereia; quer uma história infantil mais trágica que esta?).

    Pois bem, Peter Pan é um menino que não cresce, que mora na Terra do Nunca e constantemente vive aventuras. Este seria um resumo básico da história, e bastante simplório também. Embora com seus elementos que tornem o livro mais “infantil”, possui diversos pontos um tanto quanto mórbidos e fortes. Primeiramente, tem-se que ver que no livro há um misto com fantasia, em que a Terra do Nunca é uma ilha visitada em sonhos pelas crianças, que conhecem Peter Pan sem, de fato, conhecê-lo. Como se houvesse ali uma tênue divisão da ilha (fantasia) e do mundo das crianças (realidade). E é a partir disto que a história começa a se desenvolver, buscando uma dessas crianças que conhece a ilha em sonhos; a pequena Wendy e seus irmãos João e Miguel, que ficam fascinados com a ilha, sua fantasia, seus mistérios e suas aventuras.

    Uma das primeiras coisas a se levar em consideração é de que, embora o protagonista seja Peter Pan, a história se desenvolve ao redor de Wendy, uma menina que particularmente gosta de tudo que esteja relacionado com a função de ser mãe. Que é, não sendo isto um spoiler (eu acho), o que ela acaba se tornando – embora de mentira – no decorrer do livro, ao se deparar com a Terra do Nunca e os meninos perdidos. Há, em toda a obra, essa importância, talvez necessidade, dada às mães e sua proteção (exagerada, talvez), aos filhos. Apesar disso, há um receio quanto ao ser adulto, algo inevitável a todos, menos ao Peter Pan.

    Fonte: Fan Art retirada do Google.

    Peter é uma criança arrogante, que detesta adultos e o tédio/preguiça. Aliás, a arrogância dele é considerada, pelo autor, uma das suas maiores qualidades. Um ponto que se percebe desde o começo do livro é que ele costuma esquecer tudo. Associei isso ao fato de que as crianças esquecem as coisas com muita facilidade, um exemplo seria o irmão de Wendy, o Miguel. Peter Pan é uma criança por completo, ainda mantendo seus dentes de leite e um temperamento imprudente. Contudo, ele também pode ser considerado um assassino – o porquê disto eu deixarei que leiam o livro para descobrir.

    A obra de Barrie também traz outros diversos personagens um tanto quanto interessantes, como os meninos perdidos – a explicação do porque não há meninas é um tantinho suspeita, levando em consideração toda a visão de meninas e suas responsabilidades que o livro aborda –, os peles-vermelhas, os piratas e as fadas. É interessante ver como os peles-vermelhas são apresentados:


    “Eles carregam machadinhas e facas, e seus corpos nus brilham, cobertos de pintura e óleo. Trazem fileiras de escalpos penduradas em volta de si – escalpos não só de piratas, mas de meninos também [...]” (p. 83).


    Quando li, não sabia o que eram escalpos, mas, pelo contexto, imaginei ser algo como suvenir de guerra, algum osso ou algo assim; mas isso estava meio equivocado. No Clube do Livro trouxeram o que escalpo significa, e, para não falar besteira, peguei a definição do dicionário Michaelis (2008, p. 348), “Couro cabeludo cortado ou arrancado do crânio e que algumas tribos de índios usavam como troféu de guerra”. Então, se for pensar, não é uma prática bonitinha para se contar às crianças.

    Fonte: Google.

    Em comparação, os piratas são menos cruéis, talvez. Pelo menos de minha leitura não reparei crueldade maior que a dos índios. Em relação aos piratas, gostaria de focar no Capitão Gancho, que seria o vilão da história. Principalmente, eu diria, por ser um adulto. Gancho deve a mão decepada pelo Peter Pan, o que faz com que ele busque vingança, até pelo fato de Peter ter jogado sua mão ao crocodilo, que acabou adorando e querendo provar mais do Capitão Gancho. Mas o que vimos é que o seu motivo maior não é ter perdido a mão, e sim a raiva pela arrogância do menino que não cresce. Ademais, é interessante ver que o Capitão Gancho seria um personagem mau – será? – com bons modos.

    “Os bons modos! Por mais que Gancho houvesse se degenerado, ele ainda sabia que eles são a única coisa que realmente importa” (p. 195).

    Fonte: Google.
    Ademais, ainda há dois personagens que merecem destaque: a fada Sininho e a cachorra Naná. Sendo que Naná era a babá de Wendy e seus irmãos, por vezes demonstrando ser a melhor babá possível, embora seja um tanto estranho pensar numa cachorra como uma babá. Já quanto a Sininho, uma personagem que já ganhou alguns outros filmes, vê-se uma fada que contraria o que se esperava dela – isso é, de que ela deveria ser a fada de uma menina e não a fada de Peter Pan. Vemos, no decorrer do livro, que ela é ciumenta e não gosta da Wendy.


    “Sininho não era de todo má; ou melhor, ela era toda má agora, mas, por outro lado, às vezes era toda boa. As fadas têm que ser ou uma coisa, ou outra, pois, como são tão pequenas, infelizmente só têm espaço para um sentimento de cada vez. Elas podem mudar, no entanto tem que ser uma mudança completa.” (p. 76).


    Há muito o que se poderia falar do livro Peter Pan, mais ainda se fizesse uma comparação com os filmes. Porém, colocarei aqui apenas mais três coisas que merecem uma atenção especial. Primeiro, de que há toda uma importância dada à diferença do que é faz de conta e o que é realidade. Sendo esta uma das características que diferenciam Peter dos demais meninos perdidos.


    “A diferença de Peter para os outros meninos em momentos como aquele é que eles sabiam que aquilo era faz de conta, enquanto para Peter faz de conta e realidade eram exatamente a mesma coisa” (p. 103).


    Fonte: Google.
    Segundo, de que há a questão da transição para a fase adulta. Pode-se ver certo receio ao se pensar que se irá crescer, envelhecer e ter que seguir padrões pré-estabelecidos que não agradam as crianças. Peter, no começo do livro, diz que quer ser criança para sempre de modo que possa se divertir sempre. Não muito longe dessa reflexão, pode-se ver a afirmação de que “As crianças sabem de tanta coisa hoje em dia que logo param de acreditar nas fadas” (p. 48). E o que a frase diz é algo ainda atual, as crianças têm acesso a tanta informação e tecnologia que as brincadeiras infantis, as horas e horas se divertindo apenas com a imaginação gradualmente diminui. Então, em minha opinião, se for analisar, é uma história para crianças e sua visão dos adultos, talvez até para que se possa ver que crescer não é algo negativo, e, ao mesmo tempo, há brevemente uma crítica de como as crianças se tornam adultas rápido demais.

    E, em terceiro e último lugar, a narrativa de J. M. Barrie. Talvez pelo fato de ser direcionado mais às crianças, o narrador busca manter um diálogo com o leitor, como se tanto o autor quanto o leitor estivessem de fato vendo a história e soubessem mais desta do que os próprios personagens da obra. O que é, de certo modo, estranho, embora deixe o livro mais “interativo”.


    Enfim, esta foi a leitura do mês de dezembro do Clube do Livro, sendo um livro consideravelmente rápido de ler. Um clássico que vale a pena ler, e que tem um tantinho de drama~ ;)
    Caso se interessem, a Helena também o resenhou. ^^
    E aí? Já leram o livro ou pretendem ler?

    2 comentários:

    1. Arrasou na resenha, Paula.

      Já conversamos bastante sobre o livro no clube que acho que nada que eu diria aqui eu já não tenha te falado. Mas gostei da forma como você percebeu o livro, a sua resenha ficou muito completa! Na minha resenha eu não pontuei sobre a morbidez da narrativa, mas eu senti isso também, por se tratar de um livro "infantil", eu não imaginava encontrar certos elementos como tantas mortes e a parte do escalpo e da machadinha, hehe.

      Beijos!
      Leituras & Gatices

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      Respostas
      1. Olá! *-*
        Verdade, já conversamos bastante. Hehe, então, o que mais me chamou a atenção foi esse caráter mais mórbido, um livro "infantil" que é, de certo modo, "forte", pois também não esperava encontrar esses elementos. Tanto que eu nem sabia o que era escalpo... x_x Se não fosse o clube do livro eu teria deixado de perceber muitos detalhes.

        Ansiosa para nossa próxima leitura~ ^^

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