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  • 10/12/2015

    O Gigante O'Brien - Hilary Mantel (Resenha)

    Olá, leitores!

    Quem me conhece sabe que tenho um gosto meio exagerado por livros, e me arrisco em minhas leituras. Fiz isso com “Metafísica dos Tubos”, um livro que comprei numa feira do livro ano passado (2014), e no final adorei. E, este ano, numa feira do livro em Criciúma, acabei comprando alguns livros um tanto desconhecidos – pelo menos para mim –, sendo um deles “O Gigante O’Brien”, da autora Hilary Mantel. Achei a capa e o texto na orelha do livro interessante e até um pouco intrigante. O tipo de livro que mesmo nunca tendo ouvido falar eu compro para ler. Além disso, é da Editora Record! (*-*) Foi uma leitura que me surpreendeu um bocado, fascinante e um tanto desagradável ao mesmo tempo. Por isso, resolvi apresentá-lo aqui.

    A primeira coisa que precisam saber é: Não leiam a orelha do livro, pois conta a história toda!
    Bem, um resumo dela, pelo menos. Mas, se não gostas de spoilers, não leia. Mesmo. Bom, segue sinopse, retirada do Skoob:

    “Baseado no caso real de um gigante que se exibiu em Londres pelo período de um ano, a autora o recria usando com maestria a imaginação. O resultado é uma pequena fábula sobre um grande homem, uma aberração da natureza, que exibe seu corpo em troca de dinheiro. Mas ele é mais que uma atração de circo. A figura grotesca esconde uma alma sensível, apaixonada por música, histórias e os mitos do passado. Um guardião das tradições irlandesas que sofre de um mal incurável que, ao mesmo tempo, lhe dá condições de ganhar dinheiro.”

    Antes de qualquer coisa, tenho que deixar claro que este é um livro forte. Tanto pelo drama sútil no decorrer da obra, quanto por cenas que podem perturbar um pouquinho. Evitarei nomes para não dar spoilers, mas um exemplo seria de dado personagem que imagina o outro rapaz tendo relações com a mulher morta. Nem todos conseguem ler um livro assim, então, estão avisados.

    Embora tenha uma leitura até que rápida, traz umas questões a serem pensadas, principalmente pela época a qual a história se passa. Duas coisas que, particularmente, me interessaram e me fizeram ler até o final: o gigante O’Brien, e a questão do furto de cadáveres. Na época em que a história se passa, o uso de cadáveres para estudo não era algo bem visto pela sociedade, de modo que os estudiosos e médicos furtavam cadáveres para continuar seus estudos sobre o corpo humano. Há algumas demonstrações breves de como seria o estudo deles, sendo uma delas na qual um dos personagens acaba adquirindo uma doença, a sífilis.

    Tal como no título, o protagonista é o gigante O’Brien, uma pessoa que parece calma e observadora. Percebi certa sutileza ao descrever as ações de O’Brien, demonstrando a natureza deste e como encarava o mundo. A história do Gigante tem início quando ele e seu grupo de amigos decidem sair de onde moram e ir em busca de melhores condições de vida, sendo que, para isso, o gigante chama um “agente” – ou empresário –, que garantiria sua fama. A história tem seus altos e baixos, e, a meu ver, os personagens são retratados com uma realidade curiosa, mostrando a ganância e ignorância das pessoas.

    “Claffey tinha suas partes ruins: mas os homens não são como batatas, em que a podridão toma tudo [...]” (p. 10).

    A obra começa com uma narrativa interessante, porém pode-se perceber uma escrita como que de flashes, de vários momentos cortados. Por vezes muda o narrador dentro de um mesmo capítulo, o que exige uma leitura mais cuidadosa. Em dado momento fiquei com dúvida de quem se estava falando, pois não há algo que indique isso claramente. Além disso, a narrativa alterna entre O’Brien e John Hunter – um estudioso que compra espécimes para estudo. Contudo, enquanto narra um espaço curto de tempo da vida de O’Brien, chega a contar quase a vida toda de John Hunter, desde como era sua infância, algumas de suas experiência de trabalho e seu (desagradável) casamento. As duas histórias começam totalmente separadas e, como eu li a orelha do livro, parecia que estava demorando demais para que as histórias dos dois personagens viessem a se encontrar. E a forma como a autora aborda isso chega a ser sútil, quase como se esse não fosse o clímax da obra. Aliás, a narrativa é tão fluída e sutil que não parece haver um “ápice”. A história segue normalmente, e apenas o teor dos acontecimentos faz com que se perceba todo o drama dos personagens.

    É interessante como o foco da narrativa muda constantemente. No decorrer da história, por exemplo, quando se estabelecem em dado local, os amigos do gigante saem para se divertir e explorar a cidade, deixando o gigante sozinho, visto que ele não poderia sair, para que as pessoas não o vissem sem pagar por isso. Isso é, o grupo de “amigos” de O’Brien começa a ganhar certo espaço no enredo e uma importância que passou quase que despercebida por mim, pois eu li apenas interessada na história do gigante.

    Um dos pontos que considerei intrigante na obra é que, em dado momento, parece que O’Brien deixa de ser tratado como uma pessoa, como se fosse apenas um objeto falante que rende dinheiro. O que me remeteu ao termo reificação, que é, mais ou menos, não levar em conta o caráter humano, tratando as pessoas como meros objetos que podem facilmente ser substituídos.

    Por fim, não posso deixar de mencionar a relevância que os cadáveres e o furto destes recebem na história. Há todo um método por trás desse furto, o que chega a ser bem interessante, e um pouquinho assustador – afinal, isso aconteceu e ainda acontece (certo?). E, falando de cadáveres, há menção sobre pessoas enterradas vivas. Meio assustador pensar nessa situação, e também por esse motivo eu digo que é um livro fortinho.


    Bom, essa é a minha visão de “O Gigante O’Brien”, sendo um livro que recomendo tanto pelas questões que o perpassam, quanto pela diferente narrativa de Mantel. E aí? Já leram ou se interessaram? =)

    12 comentários:

    1. Oi, Paulinha. Muito boa resenha, deu para perceber que é um livro de leitura não tão simples pela narrativa que se alterna de narrador, eu sempre sou muito burrinha para perceber essas trocas, acho que ia ficar perdida caso lesse esse livro, rsrs.
      Mas os temas que o livro traz, como o uso de cadáveres e a reificação me pareceram muito interessante!

      Beijos!

      leiturasegatices.blogspot.com.br

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      1. Oi! =)
        Pois é, não é uma leitura tão simples, eu demorei um pouquinho para ler. x_x Se sinalizasse a mudança dos personagens nem ia ser tão complicado, o problema é que a mudança às vezes é só uma linha em branco. Trágico...
        Sim, bem interessantes! *-* E são temas que trazem um draminha bonitinho~
        Quando quiser uma leitura bem diferente, talvez seria interessante ler esse livro~ ;D

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    2. Oi, Paula!
      Que pelúcias fofas! Adorei!
      Adorei também sua resenha e a premissa desse livro. Ainda não tinha ouvido falar, mas fiquei bem interessada mesmo. Os temas abordados me chamam bastante atenção.
      Beijos
      Balaio de Babados || Participe da promoção Natal do Babado

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      1. Olá! =)
        *-* Adoro pelúcias~
        Pois é, também achei bem desconhecido o livro. É uma obra bem diferente, vale a pena ler. ^^

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    3. Fiquei completamente motivada para ler esse livro, assim que eu tiver a oportunidade vou comprar nossa, sua resenha me deixou tão curiosa e com tanta vontade de lê-lo que estou muito empolgada, hahaha, nossa obrigada por compartilhar esse livro, ainda não tinha ouvido falar e ele tem TUDO que eu gosto, ou seja, preciso!
      Estou seguindo e amando o blog <3
      Beijos.
      Criei, recentemente, um blog para falar sobre filmes, séries, cultura e artes no geral. Se você puder dar uma conferida eu ficarei muito grata: http://cineleva.blogspot.com.br/ :)

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      1. Olá! =)
        Haha, que bom! *-*
        Os temas são realmente interessante, e a narrativa, por ser diferente (um pouco complicada, mas...), vale a pena ler. *-*
        Espero que goste da leitura, caso o leia. ^^
        Darei uma olhada no blog. ;)

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    4. Oii Paula

      Sua resenha ficou ótima. Confesso que não é meu tipo de livro, algumas cenas me incomodam bastante, mas mesmo assim valeu a pena por conhecer a obra. Nunca ouvi falar desse livro e vem de uma editora grande, acho legal descobrir esses achados de vez quando. Ai faz tempo que não vou à uma feira do livro, espeero que 2016 surjam muitas oportunidades.

      Beijokas

      naprateleiradealice.blogspot.com.ar

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      1. Oi! =)
        Pois é, é um livro bem fortinho. Sim, vale a pena só por conhecer. ^^
        Já é o segundo livro da Record que leio e é desconhecido, mas que é um ótimo livro. É até meio estanho esses livros bons serem tão desconhecidos, mas... fazer o quê.
        Espero que encontre ótimos livros também. =)

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    5. Uauu, muito bom. Fiquei com muita vontade de ler apesar da história parecer um tanto perturbadora, eu fiquei muito instigada a conhecer um pouco mais. Resenha super bem escrita, gostei muito. Achei que era a única pessoa a comprar livros que nunca vi na vida. Não estou sozinha no mundo! HAHAHA O/

      Mergulhares | Blog

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      1. Olá! =)
        Espero que goste, caso leia o livro! *-*
        Haha, não está sozinha! \o
        Tem uns títulos desconhecidos muito bons! *-* É até uma pena não serem conhecidos... =\

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    6. Resenha interessante de um livro que parece ser interessantíssimo! Nunca ouvi falar sobre a autora e muito menos sobre o livro, mas por causa das discussões que o livro suscita tive a impressão de que essa leitura é importante para fazer com que algumas pessoas aprendam a enxergar além das aparências. Isso me lembra "Extraordinário" da Palacio, mas só que bem mais adulto e pesado.

      Um abraço!
      oepitafio.com

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      1. Sim, o livro é bem interessante! =)
        Esse é um bom ponto a se olhar na obra, de fato. Embora conheça esse livro "Extraordinário", não o li, mas darei uma olhada.

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