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  • 07/11/2015

    Sementes no Gelo, de André Vianco (Resenha)

    Fonte: Google.

    Olá, pessoal!
    Aqui é a Paula – colaboradora do blog, que traz livros mais clássicos ou com (muito) drama. Bom, estou agora participando de um Clube do Livro, e o livro escolhido para outubro fora “Sementes no Gelo”, de André Vianco, publicado pela editora Novo Século. O clube parte de meses temáticos, sendo que outubro fora escolhido como o mês do terror ou coisas do gênero. E, pela proposta, o livro realmente poderia ser de terror. Como acabei deixando para escrever a resenha muito após ter lido, algumas opiniões foram tomadas do debate do grupo.
    Primeiramente, o livro não me pareceu realmente de terror. Talvez porque eu seja um pouco exigente com narrativas, mas o livro não conseguiu prender minha curiosidade e interesse. Para que melhor entendam a proposta do livro, segue esse trecho retirado do site Wikipédia (sei que não é tão confiável, mas...):

    André Vianco afirma ter tido a inspiração e a idéia para compor a obra assistindo a um telejornal onde a matéria tratava sobre embriões congelados e a legislação vigente em vários países. Em todos os países na ocasião era terminantemente proibido descartar os "ovos" fertilizados, que viriam a se tornar embriões viáveis para um futuro implante nas mães com dificuldade de fertilização natural. 
    Com a população mundial de embriões congelados crescendo, o autor imagina um mundo onde esses seres, mesmo que minúsculos e congelados, possuem alma, espírito. Esses espíritos se desenvolvem e em determinada altura ganham o poder de se materializar para seus pais e também para aqueles que praticam violência contra crianças.

    A história centra-se no detetive Tânio buscando resolver o mistério por trás de situações estranhas, que indicavam a existência de espíritos – sim, os embriões congelados. O livro traz várias questões realmente interessantes, mas parece não abordá-las direito. Por exemplo, há uma opinião contra os pais e/ou responsáveis que maltratam as crianças, mas o autor não a explora. Está ali na história, simplesmente para mostrar que existe e é uma realidade, mas não parece ser debatida, argumentada, melhor questionada. O que achei bem desagradável. Logo ao início do livro há um prisioneiro que violentou várias crianças, e o autor consegue expor a questão da revolta dos pais e as vontades destes de matar o criminoso. Contudo, esperava que com isso me fizesse refletir a respeito tal qual “Ensaio sobre a cegueira” (José Saramago) me fez pensar até que ponto nós somos capazes de ir para sobreviver. Então, é um ponto positivo e negativo do livro ao mesmo tempo.
    Um ponto interessante é de que, sendo um livro nacional, mostra coisas que apenas quem conhece um pouco da cultura do Brasil entenderia de fato – claro, pode haver exceções –, como falar nomes de canais de TV e jornalistas.
    O início do livro é fraco, diria até chato. Poderia me atrever a dizer que o estilo da narrativa parece algo que um aluno de ensino regular faria para uma redação de escola. Veja bem, digo o estilo da narrativa. Quanto à narrativa em si, achei chata, um pouco forçada. A história é interessante até, mas o jeito com que foi contada poderia ter sido bem melhor. É um livro de mistério/horror que não assusta. O único capítulo que achei um pouco agoniante foi o capítulo seis, em que o foco é uma grávida, e nem fora pela narrativa ou pelo que aconteceu com os rapazes, e sim pela moça. A situação dela foi agoniante – não vou comentar muito para não ser spoiler. Contudo, o capítulo, se melhor fosse explorado, se ele aproveitasse disso para tornar uma verdadeira cena macabra e/ou assustadora, ficaria muito melhor.
    Fico questionando, se havia ali um propósito de maltratar quem maltratava os outros, por que não aproveitou e descreveu bem a tortura? A própria descrição seria uma punição. No início do livro não tentou abordar isso? Foi decepcionante não trabalhar bem esses pontos. 
    Quantos aos personagens, acho que eles não foram bem desenvolvidos. Além de serem um tanto quanto superficiais, no meio do livro (estou evitando spoilers) simplesmente aparece uma situação nova, um encontro com um antigo conhecido, que muda como o personagem reage, e que não fora comentada em nenhum outro momento! O que demonstra ser algo importante para a evolução do personagem aparece sem mais nem menos, como se fosse apenas para jogar a resposta do “mistério” do livro.

    “Tânio martirizara-se anos a fio por causa do desfecho de suas brincadeiras juvenis. [...] Queria refazer as coisas. Era doido para que a vida, de alguma forma mágica, possuísse um botão de 'volta-apaga'. Culpava-se e culpou-se até esquecer. Eventualmente aquilo vinha a sua cabeça, sem tanta forma, mas sempre com uma ponta amarga.”

    O livro traz várias questões e situações que poderiam vir a ser ótimas histórias se bem exploradas, mas, novamente, o autor não o fez. Não o recomendo caso possua livros melhores para ler. Mas é interessante para pensar acerca das crianças geradas artificialmente e conhecer um pouco de livros nacionais.
    E aí? Se interessaram? Já leram o livro? Fiquem à vontade para comentar.


    Neste mês de novembro, o clube do Livro terá por tema “Livro que virou filme”, sendo que o livro escolhido foi “Garota, Interrompida”, de Susanna Kaysen. A Helena, também membro do clube, já leu e resenhou o livro, haha. Confiram a resenha dela: Garota, Interrompida.

    6 comentários:

    1. Olá!
      Gostei muito da resenha. Não conhecia esse livro do André Vianco. Li alguns dele sobre vampiros e curti bastante :)
      Bjs

      EntreLinhas Fantásticas

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      Respostas
      1. Olá!
        Obrigada. =)
        Bom, este foi o primeiro livro que li dele, e não me agradou mesmo. O que não indica que não possa haver um livro dele que seja bom. Quem sabe eu dê chance para algum outro livro dele futuramente. x)

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    2. Paula, falou tudo na resenha. O estilo da narrativa é pobre e alguns temas do livro poderiam (deveriam) ter sido mais explorados, quem sabe, assim, o livro teria sido melhor. Eu terminei de lê-lo com a sensação de que a história foi apressada, atropelada, não consegui me identificar com nenhum personagem, nem senti muito medo, e olha que sou medrosa demais!

      Bela resenha!

      Obrigada por divulgar a minha resenha de "Garota, interrompida" :)

      Beijinhos, Hel.

      http://leiturasegatices.blogspot.com.br/

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      1. Bem isso, Helena! Concordo com suas palavras.
        Acho se a narrativa fosse mais explorada já seria melhor, pois isso já implicaria em precisar arrumar vários pontos no livro, como criar personagens mais relevantes e aprofundar mais as questões abordadas.

        Obrigada! ^^

        Haha, de nada. ;)

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    3. Olá!
      Poxa, achei a premissa do livro tão interessante! O que já li do Vianco foi Os Sete e O Sétimo, que achei legal até.
      Acho que vou passar esse livro então, já tenho muita coisa pra ler!
      =D

      http://osdragoesdefogo.blogspot.com/

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      1. Olá!
        Sim, a premissa é bem interessante! Mas, se for analisar em tudo, é a única coisa interessante. A narrativa é fraca, não explora as questões que são abordadas e tal... =\
        Sim, leia outros. =)

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