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  • 05/10/2015

    Desvios, de Iris Guimarães Borges (Resenha)


    Olá, pessoal!

    Desta vez eu trouxe uma resenha de um livro nacional. Espero que gostem. =)

    Fonte: Desvios, de Iris Guimarães Borges. (Arquivo pessoal).


    A autora, Iris Guimarães Borges, fez o lançamento do livro “Desvios” nesse último dia 27 de setembro, no encerramento do Seminário de Leitura e Produção Textual (SELEP), na Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). O livro tem 129 páginas, abarcando três contos: as gêmeas; o aposentado; e as três coroas. Chamou-me a atenção o fato de ela ter sido professora de Literatura Brasileira, e de participar da Academia Criciumense de Letras, o que implica que ela possui um grande repertório de leituras e reflexões sobre as obras. Além disso, Iris G. Borges presentou aqueles que estavam no lançamento com exemplares do livro, pedindo que fizessem suas críticas da obra. E, considerando que gostei da leitura, aqui faço minha crítica.

    “[...] Sobressaem, mais que tudo, nos três relatos a força da sondagem psicológica, o domínio do tempo ficcional, a pulsação das rotas e retas que se quebram e nos oferecem sentimentos” (Dobras do tempo – Flávio José Cardozo, retirado da orelha do livro).

    O primeiro conto, "As gêmeas", conta a história de Maria Inês e Inês Maria, ou, como elas escolheram ser chamadas, Mai e Miá. Foi devido a este conto que me interessei pelo livro. Durante o lançamento da obra, interessou-me a fala da autora, sobre identidade. Se já é difícil descobrir a própria identidade, sua individualidade, imagine gêmeos univitelinos então. E é nessa temática que o conto se desenrola. Por ser gêmea fiquei curiosa, afinal, de que modo a questão de ser gêmeo foi retratada?
    A meu ver, a autora colocou questões interessantes sobre gêmeos, que foram expostas de uma forma fluida, que abordam, de fato, situações pelas quais a maioria dos gêmeos passa. Como os enganos, a opção de trocar de lugares, a falta de individualidade em diversos momentos, etc.

    “Maria Inês conduz a linha do conflito, é dela a consciência dolorosa do vínculo. Odeia as roupas tantas vezes iguais, os agrados açucarados dos que, pelos 65 anos já vividos, as veem juntas, despreza a dependência da outra, aquela cara de lerda, a presença grudenta, a virgindade ridícula” (Dobras do tempo – Flávio José Cardozo, retirado da orelha do livro).

    A narradora é Mai, a irmã mais velha, que tende a ser a responsável por Miá, e conta a história desde quando eram pequenas, intercalando com a narração presente, já adultas. O conto parte de um impasse: ao mesmo tempo em que Mai quer manter sua individualidade, sua existência desvinculada de sua irmã, ela não consegue se ver como sujeito sem ela. Em dado trecho do conto, Mai aponta a dualidade das coisas, dizendo haver, com ela e Miá, uma dualidade também, o que deixa claro a necessidade da existência de uma para que a outra permaneça. Passara tanto tempo ao lado de Miá que não há outra realidade, o que a impede de perceber-se totalmente como um indivíduo único. É uma ligação que não foi e nunca seria desfeita. O que pode ser notado, logo de início, na narração presente, em que é o aniversário de sessenta e cinco anos, e as duas estão juntas, ainda de vestidos parecidos.

    O que uma gêmea sente, a outra sente igual” (p. 18).

    Desde o início, deu para perceber que a narradora quer se ver distante da irmã e, consequentemente, percebe-se que elas não sentem o mesmo. Até pelo fato de que, em dados momentos, se vê que Mai não compreende Miá de fato. E essa, no entanto, é uma questão muito comum aos gêmeos, pois isso intriga aqueles que não o são. Em minha opinião, isso é um mito. E acho que o conto conseguiu captar isso.
    Fonte: Desvios, de Iris Guimarães Borges. (Arquivo pessoal).
    Outro ponto interessante é o desejo de Miá de imitar a Mai. Como se ela não possuísse, ela mesma, uma personalidade que fosse sua, desejos que fossem seu. Pelo menos para mim isso retratou a questão de gêmeos serem tratados como iguais, ao ponto de que eles não separam quem é quem. O que aparece, nitidamente, num trecho do conto, durante uma brincadeira com as almofadas.
    Além disso, há outra questão interessante, proposta pela própria narradora; será que a pessoa nasce má ou ela se torna má? A partir de que ponto pode-se dizer que uma pessoa é maldosa?
    No geral, esse conto, assim como os outros dois, possui uma escrita fluida, perpassando lembranças de toda sua vida durante a noite de seu aniversário de sessenta e cinco anos. É uma leitura rápida, mas intrigante e elegante. Afinal, até que ponto se tem sua individualidade?
    Quanto ao segundo conto, “O aposentado”, vê-se um homem metódico, que, agora aposentado, precisa arranjar novos hábitos para colocar no lugar de outros, para acabar com o tédio.

    “O primeiro mês de aposentadoria foi um inferno. Quem já passou por isso, sabe. Eu ficava zanzando pela casa, sem tem o que fazer” (p. 78).

    Até que começa a mudar seus pequenos hábitos, e encontra algo para ocupar seu tempo, como contar tudo a sua volta. De início, pensei que pudesse ser uma possível demonstração de que as pessoas acabam se dedicando muito ao trabalho e que, quando se aposentam, acabam não tendo o que fazer. Encontram-se no tédio, tendo que buscar algo que preencha suas horas diárias. No caso do conto, o protagonista encontrou um passatempo, visitar seus amigos. Assim como no conto anterior, e que aparece no próximo também, há menção à ação do tempo em nossas vidas, ao que acontece ao nosso redor, aos nossos amigos, ao que vivenciamos e molda o futuro.

    “Há uma poesia amarga no desdobrar dos seus passos de sobrevivente, na sugestão que lhe dão de visitar os amigos” (Dobras do tempo – Flávio José Cardozo, retirado da orelha do livro).

    Já o terceiro e último conto, “As três coroas”, tem-se a protagonista Ieda, uma jovem de 17 anos que fez amizade com três senhoras na faixa dos sessenta anos. De acordo com a própria apresentação deste no livro:

    “[...] Sua amizade com três vizinhas mais velhas (ela então 17 anos, as três irmãs sessentonas) flui em dez pequenos capítulos, com um introito de poucas linhas que fala em crime perfeito. Todos estranham o relacionamento assimétrico, não entendem o prazer da moça em falar sobre livros com Adélia, sobre licores e doces com Berenice, em aprender bordado com Cecília” (Dobras do tempo – Flávio José Cardozo, retirado da orelha do livro).

    O conto questiona alguns parâmetros da sociedade, seus tabus. No caso, em relação ao convívio com outras pessoas, a diversidade da idade, no qual fica claro o estranhamento de muitos pela amizade delas, que se iniciou devido a um interesse em comum; a leitura.
    Mas ao mesmo tempo em que fala de amizade, o conto traz um conflito sobre a mentira e até onde ela nos leva, de como os fatos mudam ao ser constantemente narrados, questionando-nos até que ponto acreditamos ou não e se sabemos distinguir o que é verdade ou mentira. Além de ter uma pontada de mistério, como apontado logo ao início; há um crime perfeito.
    Quanto ao livro no geral, gostei muito da narrativa, é uma leitura rápida. Considerando serem contos, os personagens foram bem desenvolvidos e construídos. Até imagino que essas histórias poderiam perdurar por mais algumas páginas. Particularmente, gostei mais do primeiro conto, um pouco porque algumas das questões trazidas fizeram – e algumas ainda fazem – parte da minha história.
    É isso. Essa é a minha leitura/interpretação dos contos. Gostei bastante do livro, e o recomendo. E aí? Se interessaram?


    Observação final: Uma pena não ter ISBN para colocar no Skoob. =’(

    3 comentários:

    1. Como sempre uma ótima resenhista, Paula.
      Realmente, pela forma que você descreve e diz que a autora descreveu os personagens dá para pensar que se trate de um romance e não um conto!
      Me interessei pelo último conto, pelo que você escreveu parece haver algo a mais na relação das quatro personagens e eu sou muito curiosa, rsrsrs.
      Beijinhos, Paula.

      http://leiturasegatices.blogspot.com.br/

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      Respostas
      1. Obrigada. =)
        Sim, acho que os contos poderiam muito bem ser um romance!
        Haha, o último é um pouco mais misterioso mesmo. Dá uma curiosidade mesmo.
        Caso leia, espero que aproveite a leitura também. ^^

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    2. Oi Ta :D , confesso pra você que eu não gostava muito de ler sabe kk , mais aos poucos fui começando ler um livros pequenos e fui me interesando pela leitura. O livro que você resenhou eu ainda não li mais achei bem interessante o nome e a sua resenha . Beijos :8


      www.talitanayara.com

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