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  • 30/09/2015

    O Poeta da Madrugada (Resenha)

    Olá leitores,

    O livro traz poemas de vários momentos
    da vida de Alceu Valença.
    A resenha de hoje é sobre o livro O Poeta da Madrugada, do cantor Alceu Valença. Lançado este ano pela Chiado Editora (parceira do blog), o livro de 108 páginas traz poemas escritos em vários momentos da vida de Alceu, tendo alguns inclusive sido transformados em música, como é o caso de Anunciação.
    Dividido em duas partes, “Quase uma biografia” e “Poetas das cidades, da solidão, do amor, do tempo e da saudade”, a primeira consiste de poemas que relembram as origens e lugares que marcaram a vida do poeta, abordando detalhes de cidades como São Bento da Una, Recife e Rio de Janeiro.
    Com um enfoque mais reflexivo, a segunda parte do livro traz versos que falam mais sobre vida, amor, filosofia e tempo, mas algumas referências a lugares continuam aparecendo. Desta vez, ele traz versos inspirados em Olinda e Lisboa.
    Embora eu não seja muito fã de poesia, eu gostei muito de algumas reflexões que ele faz nos poemas. A forma como ele aborda o tempo e amor passam longe de ser clichê, dá para nós nos identificarmos com os questionamentos dele.
    Dentre a série de poemas, o que mais me chamou a atenção foi Relação entre o Cristianismo e o Marxismo, ainda mais depois que eu soube como os versos foram criados. Alceu escreveu esse poema quando cursava faculdade de Direito, durante a prova de um concurso cujo objetivo era levar para Harvard alunos que pudessem discursar sobre A Sociologia e Desenvolvimento Econômico da América Latina.

    Relação entre o Cristianismo e o Marxismo


    Quando a Senhora de Preto

    Me enlaçar em seus braços gélidos
    E meu corpo for pouco e pouco se consumindo
    Pelo chão que me foi dado,
    Quero evaporar-me
    E, docemente, subir aos céus.

    Os parentes e amigos
    Estarão à sala de espera.
    Beijarei um a um,
    Trocarei a camisa suada
    E sairei para uma volta
    Nos arredores.


    Verei negro americano

    De braço dado com donzela
    De descendência nórdica.
    Verei árabes e judeus
    Discutindo, amigavelmente,
    Sobre a bolsa do Senhor.


    E depois de percorrer

    Todas as dependências do Paraíso,
    Chamarei o “chaveiro” em particular
    E mui confidencialmente lhe perguntarei:
    - Pedro, meu velho, aqui tem dedo de Marx?

    Vocês já leram o livro? Pretendem ler? Me contem nos comentários

    3 comentários:

    1. O poema é lindo, o tema é pertinente e atual. Tomara a profecia se torne realidade. Não a morte do autor, evidentemente! Rs. Mas, sim aquilo que ele verá nos arredores.

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    2. Adorei esse poema! Confesso que é difícil eu ler poesia!

      Beijinhos, Hel.
      http://leiturasegatices.blogspot.com.br/

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    3. Adoro a obra do Alceu Valença! Ele tem uma sensibilidade nas letras das músicas e dos poemas! Ele canta uns forrozinhos que gosto também hehe

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