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  • 24/05/2015

    Poema: Soneto de contrição

    Olá leitores,

    Como estão? Espero que bem. O poema de hoje é do Vinicius de Moraes pois adoro a poesia dele.

    Soneto de contrição
    (Vinicius de Moraes)

    Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
    Que o meu peito me dói como em doença
    E quanto mais me seja a dor intensa
    Mais cresce na minha alma teu encanto.
    Como a criança que vagueia o canto
    Ante o mistério da amplidão suspensa
    Meu coração é um vago de acalanto
    Berçando versos de saudade imensa.
    Não é maior o coração que a alma
    Nem melhor a presença que a saudade
    Só te amar é divino, e sentir calma…
    E é uma calma tão feita de humildade
    Que tão mais te soubesse pertencida
    Menos seria eterno em tua vida.
    Não comerei da
    alface a verde pétala
    Não comerei da alface a verde pétala
    Nem da cenoura as hóstias desbotadas
    Deixarei as pastagens às manadas
    E a quem maior aprouver fazer dieta.
    Cajus hei de chupar, mangas-espadas
    Talvez pouco elegantes para um poeta
    Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
    Que acredita no cromo das saladas.
    Não nasci ruminante como os bois
    Nem como os coelhos, roedor; nasci
    Omnívoro: deem-me feijão com arroz
    E um bife, e um queijo forte, e parati
    E eu morrerei feliz, do coração
    De ter vivido sem comer em vão.

    Já conheciam o poema? Gostam dos poemas do Vinicius? Comentem.

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