27/06/16

A menina que roubava livros, de Markus Zusak (resenha)

Olá, leitores!

Acho que não teria outra forma de iniciar essa resenha se não falando da fantástica narrativa feita pela Morte que conta a história da menina que roubava livros. Nossa narradora vai dando palpites sobre os humanos, os quais ela não entende, dando opiniões sobre a história e até dando spoilers do que está por vir, o que faz com que o leitor tente antecipar os acontecimentos. A Morte é uma figura enigmática, embora não seja revelado se é homem ou mulher, sempre imaginei como uma figura feminina.

Foto: arquivo pessoal

Eu não carrego gadanha nem foice. Só uso um manto preto com capuz quando faz frio. E não tenho aquelas feições de caveira que vocês parecem gostar de me atribuir à distância. Quer saber a minha verdadeira aparência? Eu ajudo. Procure um espelho enquanto eu continuo.
 A Morte começa a narrativa falando que se encontrou três vezes com a menina que roubava livros, ou seja, a Liesel. Seu primeiro encontro ocorre no início do livro, quando Liesel sendo levada juntamente com o seu irmão para ser adotada. Durante essa viagem, seu irmão acaba falecendo, e é nessa oportunidade que rouba seu primeiro livro, "O manual do coveiro", na tentativa de lembrar do irmão.
Claramente, eu vi. Estava prestes a ir embora quando a encontrei ajoelhada. Uma cordilheira de escombros fora escrita, desenhada, erigida à sua volta. Ela estava agarrada a um livro.
Foto: arquivo pessoal

Com a morte do irmão, sua mãe adotiva Rosa acaba ficando brava, visto que eram duas crianças, logo, duas pensões. Como só veio a Liesel, a situação financeira não melhoraria tanto.
Liesel não se adapta facilmente em sua nova casa, além de Rosa trata-la mal, ela sempre tem pesadelos lembrando da morte do irmão. É nessas noites que se aproxima do pai adotivo, Hans, que sempre vai acalmá-la. Além de Hans, a menina acaba fazendo amizade com Rudy, um garoto que mora na mesma rua.
Vale ressaltar que a história se passa na Alemanha nazista, então, paralelamente a vida de Liesel, a Morte mostra a situação do país. Confesso que nunca fui de pesquisar o nazismo, logo, muito do que se passou na obra foi novidade. Mas, tudo é explicado pela narradora, a qual tem um função importante durante a guerra. Então, não entender o período histórico não impede de compreender a obra literária.

Foto: arquivo pessoal

A linguagem do livro não é simples, além de alguns termos em português que não vimos no dia-a-dia, há alguns em alemão, embora sejam poucos, é necessário uma pesquisa para compreendê-los pois seu uso é frequente. Além disso, a leitura não é fluida, talvez seja por conta das inúmeras descrições presentes no livro, mas, de fato demorei muito para terminar a leitura. Vale ressaltar que é um livro emocionante e muito bem escrito.
Já leram? Viram o filme? Tem curiosidade de ler? Comentem.

24/06/16

Lançamentos das editoras Gente e Única

Olá, leitores!

Vamos conferir os livros que as editoras Gente e Única , parceiras do blog, lançaram no mês de junho:

Guerreiros não nascem prontos:

Esse livro fala de lutas. Lutas que nos servem de exemplo, que nos ensinam estratégias. Lutas que
Créditos:  Editora Gente
mostram que não é fácil correr atrás daquilo que queremos. Mas nunca devemos nos ajoelhar perante o destino, porque essa é, nas palavras de José Luiz Tejon, “a essência da alma forjada na têmpera forte dos grandes guerreiros”.
Em "Guerreiros não nascem prontos", Tejon leva ao leitor palavras inspiradoras, mostrando que o caminho para a realização não chega sem obstáculos. Tejon despertará o guerreiro em você, ajudando-o a fazer escolhas inteligentes, alinhadas com os valores da sua vida.
Entre outros pontos da ética do guerreiro, aprenda aqui: 
  • Construa sua identidade;
  • Saiba o que você representa;
  • Não deixe que os outros o definam;
  • Aceite seus próprios desafios;  
  • Não tenha medo de ser o primeiro.


Motivos para sorrir:


Créditos: Editora Gente
Se você já é fã do canal Manoela Antelo ou do Luan Novitt este livro é para você. Mas se você ainda não conhece os dois, acredite: Este livro também é para você. Acostumados a dividir a vida com seus seguidores, Manu e Biri (como os dois se chamam) sabem o poder de um sorriso: conquistaram o Brasil fazendo milhares de pessoas sorrirem todos os dias com vídeos leves, engraçados e sinceros.  Muito mais que tio e sobrinha, os dois são melhores amigos e parceiros para qualquer aventura.  Este livro é para todos aqueles que acreditam na força da amizade, na união, no sentimento único de ter alguém com quem contar em todos os momentos. Encontre aqui as melhores histórias de Manu e Biri e se surpreenda, pois assim como eles, você também vai ter muitos motivos para sorrir ao fechar este livro.




O que acharam dos lançamentos? Comentem.

22/06/16

Short Story: escritos manchados de sangue, DeCastro (Resenha)

Olá, pessoal!
Já ponderaram que, como leitores, talvez nem paremos para pensar pelo que um escritor passa até que sua obra esteja pronta, passe por todo o processo editorial e chegue até nossas adoráveis mãos? Digo, será que paramos para pensar como ou pelo que o escritor passou para escrever tal obra? Imagina-se, muito provavelmente, que há um momento de inspiração envolvido. Sem inspiração, não há texto; é o que muitos dirão – há uma associação muito curiosa entre escrever e inspiração. “Por que tu não escreves?”, “Ah, estou sem inspiração” – provavelmente já ouviram essas frases ao menos uma vez na vida. Mas... será que só inspiração basta? Não só isso, como alcançar essa inspiração? Não pretendo, nesta resenha – nem provavelmente nunca –, dar uma resposta a essas perguntas. Apenas achei pertinente lançá-las ao ar, apenas para refletir um pouco; até pelo fato de que, para respondê-las, se precisaria falar da bagagem do escritor etc. – acrescento, apenas, uma fala de um professor do curso de Letras, sobre quando passamos por essa falta do que dizer, a falta de inspiração, que consistia, basicamente, de uma palavra: “leiam” (<3).
E toda essa pequena reflexão partiu de um único conto: “uma francesa”. O conto faz parte de uma coletânea intitulada “Short Story: escritos manchados de sangue”, do escritor DeCastro – também colunista no blog Historiar. O livro possui nove contos, sendo esses bem diversos e ligados por um elemento: a morte. Cada conto mostra uma nova história, que variam significativamente de tamanho, alguns mais breves, mais ou menos umas duas páginas, e outros mais longos, mais ou menos umas trinta páginas, mas todos trazem a certeza de que há ali marcas de sangue e morte. Numa perspectiva geral, se pensarmos no livro como num sistema cardiovascular, a presença de assassinatos e mortes seria o coração, responsável por manter toda a obra em circulação, e nas veias e artérias principais poderíamos ver aspectos sociais – a convivência humana em si – e mesmo certa dose da política/religião, não se esquecendo de ver uma veia erótica que permeia grande maioria dos contos. Ainda como esse sistema, vê-se que é uma obra fechada, mas que poderia abrir-se a mais histórias e/ou pensamentos e reflexões sobre o que ali encontramos.
Sumário de "Short Story: escritos manchados de sangue", de DeCastro.

Parece-me difícil resenhar um livro de contos – algo que estive, esses dias, comentando com a Helena (Leituras & Gatices) –, pois não é apenas uma história a se analisar, são diversas. E, por serem diversas, dificulta passar uma impressão sobre cada um dos contos, pois, além de prolongado, seria um texto cansativo de se ler. De modo que minha opinião pode ser muito superficial, por fazer um aparato mais geral e comentar, de fato, apenas de um dos contos. E se torna mais complicado quando se vê que o autor consegue mesclar diferentes estilos narrativos nos contos, não se atendo a apenas uma forma de narração, como sendo mais objetiva e direta ou bem descritiva; o conto “Príapo” é um exemplo claro disso, pois, no decorrer do conto, há alteração no desenvolvimento da narrativa, sendo ora mais descritiva, ora constituída de frases com uma palavra apenas. E isto feito de modo que o leitor consegue perceber a diferença de cada cena, ou melhor, consegue imaginá-las e perceber toda a sequência imagética ali presente. Como um claro exemplo, há a sequência “Punhal. Frasco. Sangue. Agenda.”, em que, embora assim isoladas possam passar interpretações muito diferentes, pelo fato de já estarem contextualizadas no conto, o leitor consegue perceber a continuação, uma espécie de ritual ali contido. Embora, particularmente, prefiro frases mais detalhadas, não posso negar que essa brevidade permitiu que o conto se tornasse fluido e agradável de ler. Porque, de outro modo, a leitura poderia ser cansativa.
Além disso, convém ressaltar que os contos trazem um vocabulário curioso – com isso digo que é muito bom –, que não se costuma encontrar em literatura contemporânea – o que me fez ir ao dicionário algumas vezes. E considero isso um ponto muito positivo.

“As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até que anoiteça de novo.” (Lygia Fagundes Telles)

Essa frase aparece logo nas primeiras páginas do livro; uma visão curiosa e mesmo fascinante dos personagens. Imagino que seja também uma forma de sinalizar tanto a força dos personagens quanto o momento de leitura. Aliás, convém mencionar que os contos, embora sejam de fato ficção, não possuem elementos fantasiosos, o que realça a verossimilhança e a possível associação com caráteres reais. Em diferentes momentos da obra são demonstrados diferentes aspectos da capacidade humana, que, embora uma raça considerada superior, consegue se tornar desprezível, vil e suja. E essa questão me lembra, um pouco, do livro A Máquina do Tempo, de H.G. Wells, que abarca a questão da inteligência humana – às vezes, vendo ao nosso redor, chega a parecer que algumas pessoas são como seres do mundo superior de Wells, no que tange o uso de nossa maior arma, e às vezes soam como seres do mundo inferior, que embora na posse de certa inteligência agem como “animais”.

“Embora assustador, humanos são animais sádicos e sujos” (p. 37, As freiras de Salem)

Apesar de parecer fugir um pouco da linha de raciocínio, pensar sobre isso me trouxe à mente o fato da influência do meio. Não acho necessário explicar, mas convém observar que, assim como estamos submetidos à livre escolha de nossos pensamentos, o que nos cerca pode vir a nos moldar, ou mesmo limitar – não digo que seres humanos são totalmente sucessíveis ao meio, mas que essa é uma característica que marca muito. Um dos contos, aliás, mostra um pouco disso; que o ambiente, ao se tornar exaustivo, pesaroso, afeta as pessoas. O próprio título é sugestivo, Quebra de rotina, em que, tendo o ambiente cotidiano se tornado um fardo, uma rotina cinzenta e desagradável, percebe-se um peso tão forte na alma humana que por vezes indivíduos são levados a ações extremas apenas para se verem livres da agonia dessa “rotina”. Da vida apagada, sem cor, fatigante.

“Todos ali não passavam de meras peças de um quebra-cabeça, com funções bem delimitadas e que se, colocadas em outras disposições, não se encaixariam e assim, seria impossível a formação esperada pelo rótulo do brinquedo” (p. 40, Quebra de rotina)

E são sensações que perpassam muito a sociedade. As pessoas, ainda, por vezes não se contentam com o que possuem, ou mesmo não conseguem ter e ver que há dias melhores – talvez – para vir. E, como peças, encaixadas para agir daquele modo, e apenas assim, ao perceber certo desconforto, não se consegue uma adaptação a má posição encontrada. O que me recorda de uma frase de Aldous Huxley, de Admirável Mundo Novo, em que uma pessoa mal adaptada é um perigo à sociedade. E no conto Quebra de rotina, pode não ter sido à sociedade num todo, mas afetou mais do que o próprio personagem, sua ação refletiu em toda sua família ali presente – o homem toma em mãos seu destino e o de seu filho. Outro tópico é também apresentado; o suicídio como válvula de escape do aborrecimento que pode ser continuar a viver.

“Mais valerá uma morte no corpo do que n’alma” (p. 49, A sentença)

Ou, como no conto A Sentença, a morte como punição por algo que vai contra princípios estabelecidos por dado grupo etc. Além disso, nesse conto, a morte demonstra ser menos pesarosa se esta for provocada em motivo de uma causa maior – se não me engano, já comentei sobre algo relacionado em Espada de Vidro, sendo outra visão de morte de uns como algo que garantirá o “bem” a outros.
Bem, para que não se perca a graça da leitura e do elemento surpresa, principalmente por serem contos e qualquer resumo pode vir a ser um spoiler, evito, aqui, comentar os outros contos. Acrescento, apenas, duas coisas: que a brevidade e a narrativa por vezes objetiva podem ser cruéis se formos parar para pensar a respeito; e que os finais, apesar de compreensíveis – isso é, de conseguirmos saber como terminam (a maioria) –, não são explicitamente claros, mas são subentendidos pelo leitor. 


Por fim, reparei em alguns “erros” na obra, como costumo reparar sempre – Celeuma agora é prova de como, infelizmente, não deixo isso passar. Mas, neste caso, conversei com o autor e ele já está ciente desses pequenos probleminhas.

Resta apenas dizer que, apesar da decepção que anda os atuais livros nacionais, ainda há os que se salvam e trazem questões voltadas à morte e a incompletude que é o ser humano. Recomendo a quem gosta de contos e tem certa preferência por leituras envolvendo mortes. Enfim, essa foi a primeira vez que resenhei um livro de contos, mas espero que tenha conseguido passar um pouco do que é a obra a vocês. 
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